Descrição e discriminação

Os sistemas de informação têm cumprido com relativo sucesso seu projeto histórico de auxiliar o usuário a localizar e recuperar a informação de que precisa, mas isso não é mais (há algum tempo) suficiente. Considerando-se a quantidade e a complexidade crescente da massa documental e as facilidades promovidas pelos eficientes mecanismos de busca, o que o usuário contemporâneo espera de um sistema de informação é que este possa auxiliá-lo na tarefa de identificar e separar o que exatamente ele não quer.

As informações documentárias que construímos servem, neste sentido, a duas finalidades fundamentais: descrição e discriminação (Blair, 2006). O conceito de descrição neste contexto não é tomado exatamente naquele sentido dicotômico que lhe foi atribuído quando criávamos disciplinas com nomes pomposos como “Controle Bibliográfico dos Registros do Conhecimento (CBReC)”, que líamos, ironicamente, “Cebreque”, cujo conteúdo era diferenciado pelo que lhe vinha posposto: “Representação Descritiva”, num caso e “Representação temática”, em outro.  A descrição refere-se, portanto, aos aspectos extrínsecos ou formais do documento, mas também ao seu conteúdo intelectual, naquele sentido em que é tomada como uma das fases do processo de análise documentária.

Uma vez identificado e descrito este conteúdo, importa identificar e descrever documentos com conteúdos similares e, por este meio, organizá-los, com o fim de favorecer o processo de discriminação que o usuário irá realizar em suas buscas.

Embora tenhamos desenvolvido tecnologias e metodologias suficientemente adequadas e confiáveis para os processos de descrição, a discriminação ainda nos escapa pelo que envolve de componentes cognitivos individuais (de todos os envolvidos no sistema) e coletivos, principalmente no que se refere ao julgamento de qualidade. Evidentemente que nem todo o processo é dependente apenas do usuário, há variáveis que podem ser mapeadas e manipuladas adequadamente, como as que os estudos de perfis de usuários e de comunidades identificam.

Tendo-se em mente os princípios de objetividade e de concisão na construção de informações documentárias e as medidas clássicas utilizadas para avaliação de sistemas de informação, podemos afirmar que a descrição favorece os processos de revocação (mas nunca exclusivamente), posto que permite ao usuário identificar todas as informações úteis. A discriminação, por sua vez, facilita os processos de precisão, uma vez que é por meio dela que o usuário irá identificar e selecionar apenas as informações que considerada pertinentes a sua necessidade informacional.

Referências

BLAIR, David.  Wittgenstein, language and information: back to the rough ground! Dordrecht: Springer, 2006.

 

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Uma pequena e seletiva bibliografia sobre mercado de trabalho e educação continuada do bibliotecário

2011

DINIZ, Edileuda S.; PENA, André; GONÇALVES, Leandro D.  O perfil do profissional da informação demandado por uma empresa do ramo jornalístico: um estudo de casoRevista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 16, n. 1, p. 289-307, jan./jun., 2011.

Trata-se de uma pesquisa do tipo descritiva que buscou conhecer o perfil do profissional da informação demandado pelo mercado de trabalho no município de Rondonópolis-MT. Mais especificamente procurou examinar o que pensavam os empregadores de uma dada empresa para contratarem profissionais para atuarem na área da informação. O Jornal “A Tribuna” desse município citado, foi escolhido como objeto de estudo. A amostra, por sua vez, foi composta pelos quatro diretores administrativos desse Jornal. A técnica utilizada foi a entrevista semi-estruturada, cujo roteiro foi elaborado com seis questões norteadoras para a obtenção dos depoimentos. A análise e discussão dos dados foram produzidas a partir das transcrições das entrevistas dos sujeitos da pesquisa. Os resultados obtidos apontaram para a necessidade do profissional da informação apresentar-se como um indivíduo pró-ativo e que saiba agir com ética no ambiente de trabalho. Por fim, chegou-se a conclusão de que existe espaço para o profissional da informação atuar em empresas do porte do Jornal pesquisado, desde que ele possua essas características citadas e que invista na educação continuada.

2010

DUARTE, Elizabeth A.; BRAGA, Rogério Manoel O.  O profissional bibliotecário e o domínio da língua inglesa.  Encontros Bibli, Florianópolis, v. 15, n. 30, p.105-122, 2010.

Apresenta uma pesquisa realizada no Brasil, cujo objetivo foi relatar a importância do domínio da língua inglesa pelos profissionais bibliotecários no mercado de trabalho atual. Primeiramente, foi realizada uma análise da atual conjuntura econômica e mercadológica, cujas características principais são as novas exigências interpostas pelo mercado de trabalho oriundas do advento das novas tecnologias e pela necessidade do uso do inglês como idioma preponderante no mundo globalizado. Foi feito um levantamento de dados sobre o perfil do profissional bibliotecário, a legislação que regulamenta esta profissão, suas atribuições, o mercado de trabalho deste profissional e uma pesquisa em cinco classificados virtuais – sites brasileiros de divulgação de vagas nas diversas categorias profissionais. Os sites pesquisados foram: “Catho.com.br”, “Empregos.com.br”, “Vagas.com.br”, “Manager.com.br” e o “InfoJobs.com.br”. O período de análise foi o do mês de janeiro a abril de 2009 e foram encontradas e analisadas um número total de 13 vagas (de acordo com os requisitos da metodologia). Os resultados encontrados respondem a tese de que o domínio/conhecimento da língua inglesa é uma forte vantagem para o profissional bibliotecário na obtenção de melhores qualificações, sobretudo salariais, em termos do mercado de trabalho brasileiro, sobretudo na região sudeste do país.

FERREIRA, Mary; BORGES, Elinielle P.; BORGES, Luís Cláudio.  Mercado de trabalho e a desigualdade de gênero na profissão da/o bibliotecária/o.  In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, GESTÃO, E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 2010, João Pessoa.  Anais… João Pessoa: UFPB, 2010.

Discorre sobre as relações de gênero no campo da Biblioteconomia no Maranhão refletindo sobre as desigualdades nessa profissão. Aprofunda o debate sobre as questões de gênero no campo da Biblioteconomia, situando o/a profissional da informação no mundo do trabalho. Utiliza a pesquisa qualitativa e quantitativa para investigar as percepções dos sujeitos sobre as diferenças de gênero bem como estas são constituídas. Ressalta que são poucos os estudos que envolvem a temática Gênero e Biblioteconomia, sendo que os mesmos nos fazem pensar as realidades e os contextos em que essa área foi construída. Discute a concepção do gênero como categoria analítica das Ciências Sociais, construída mediante aos processos históricos e sociais para pensar as relações de poder instituídas social e culturalmente que marcam diferenças e práticas no mundo social. Ressalta que as características atribuídas às mulheres e aos homens são decorrentes dos processos de normalização dos comportamentos, devido à força das estruturas sócio-culturais que as produzem. Mostra que, ao transpor essa reflexão para o atual contexto da Biblioteconomia buscamos compreender que as realidades e as conjunturas do mundo do trabalho neste campo, que refletem relações de gênero, edificadas no modelo patriarcal, que dificulta as mulheres serem reconhecidas como sujeito.

PAIXÃO, Lígia S.; PIMENTEL, Edna; BOTERO, Marcelo R.  O mercado de trabalho em Biblioteconomia nos países do mercosul: estudo comparativo.  In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE INFORMACIÓN, 2010, Havana.  Anais… Havana: IDICT, 2010.

1º § à No Brasil, a atividade profissional do Bibliotecário foi incluída, em 1958 no Plano da Confederação Nacional das Profissões Liberais, 19. grupo (Portaria de 7 de outubro de 1958, do Ministério do Trabalho, publicada no DOU, de 11 de outubro de 1958, pag. 22086). Em 30 de junho de 1962, o Congresso Nacional decretou e o Presidente da República sancionou a Lei 4084 que dispõe sobre a profissão do Bibliotecário e regula o seu exercício (DOU de 02 de julho de 1962) Essa lei foi regulamentada pelo decreto n.56725 de 16 de agosto de 1965 (DOU de 19 de agosto de 1965).

2009

CUNHA, Miriam V. O profissional da informação e o sistema de profissões: um olhar sobre competências.  PontodeAcesso, Salvador, v. 3, n. 2, p. 94-108, ago. 2009.

Reflexão sobre as características e a evolução do sistema das profissões no ambiente de mudanças característico da Sociedade da Informação, a partir das ideias de alguns teóricos da Sociologia das Profissões. Enfatiza a importância das profissões e especialmente, o desenvolvimento e a diversificação dos profissionais da informação, suas competências e seus espaços no mundo do trabalho, chamando a atenção para a necessidade de diálogo e de trabalho em comum com profissões próximas. Salienta ainda a necessidade de repensar a formação em Biblioteconomia.

2008

MATTOS, Fernando Augusto M.; SOULÉ JÚNIOR, Oswaldo.  A influência das crises econômicas das décadas de 80 e 90, no Brasil, no mercado de trabalho dos profissionais ligados às tecnologias da informação.  Informação & Sociedade, João Pessoa, v. 18, n. 2, p. 13-24, maio/ago. 2008.

Analisa a conjuntura do mercado de trabalho brasileiro nas crises econômicas das décadas de 1980 e 1990, para avaliar de que maneira os profissionais da informação, em especial aqueles ligados às tecnologias da informação, foram afetados por essas crises, bem como fazer uma previsão das perspectivas profissionais dessa categoria. O artigo conclui que nem mesmo os profissionais da informação, cujo rendimento médio é superior à média dos rendimentos dos trabalhadores brasileiros em geral, ficaram imunes aos impactos que a desaceleração econômica das duas últimas décadas teve no mercado de trabalho brasileiro. No entanto, caso a economia brasileira retome um ritmo de crescimento sustentado e caso sejam elaboradas políticas públicas que ampliem o acesso da população às Tecnologias da Informação, é de se esperar uma melhoria da inserção dos profissionais da informação no mercado de trabalho brasileiro.

2007

LIMA, Suely P. S.; SILVA, Alzira K. A.  O bibliotecário e o marketing pessoal na biblioteca do UNIPÊ: instrumento de promoção profissional no mercado de trabalho.  Biblionline, João Pessoa, v. 3, n. 1, 2007.

O marketing pessoal vem conquistando espaço na área de Biblioteconomia e na atuação dos profissionais bibliotecários, contribuindo para o crescimento pessoal e profissional no mercado de trabalho. Assim, questiona-se como o bibliotecário tem utilizado o marketing pessoal para se promover na sua carreira e quais as estratégias que fortalece o seu desempenho no mundo do trabalho competitivo. Objetiva-se analisar a utilização do marketing pessoal pelo bibliotecário atuante no UNIPÊ, (re)conhecendo-o como instrumento de promoção profissional no mercado de trabalho. Metodologicamente, adota-se o questionário para a coleta de dados que tem como foco os profissionais da biblioteca do UNIPÊ, sendo quatro bibliotecárias e uma gestora. Obtém-se como resultados o perfil dos bibliotecários cuja formação acadêmica, nível graduação, realizou-se na UFPB, com especialistas e mestres. Com relação ao marketing pessoal percebe-se, na opinião das bibliotecárias o uso de estratégias de autopromoção, ou seja, o marketing pessoal e que, para permanecerem no mercado procuram satisfazer as necessidades dos usuários e investir na sua formação profissional e pessoal. As estratégias mais utilizadas são de contato com profissionais da área, promoção da satisfação dos usuários, comunicação e construção de redes de relacionamentos. Conclui-se que há ações satisfatórias quanto ao produto, praça e promoção e insatisfação quanto ao preço. O uso do marketing pessoal para a eficiência desses elementos, possibilitará aos bibliotecários ferramentas para sua entrada e permanência no mercado de trabalho e, conseqüente valorização do profissional e da profissão. Contudo, deve partir de uma ação planejada e de um plano de marketing pessoal.

LOUREIRO, Mônica de Fátima; JANUZZI, Paulo M.  Profissional da informação, análise da inserção no mercado de trabalho brasileiro. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 12, n. 2, p. 23-48, maio/ago., 2007.

Procurando contribuir para a discussão acerca da inserção do profissional da informação no mercado de trabalho no Brasil, discussão essa muito marcada por estudos de natureza ensaística, estudos de caso particulares e pesquisas empíricas de pequeno alcance e representatividade, o presente estudo tem como objetivo trazer evidências empíricas mais gerais e atuais a respeito da inserção destes profissionais no mercado de trabalho, na forma permitida pelo Censo Demográfico 2000. Mais especificamente, a pesquisa tem como objetivo o dimensionamento e caracterização do contingente de profissionais em atividades de informação que atuavam no mercado de trabalho brasileiro no ano 2000, segundo as categorias da Classificação Brasileira de Ocupações, a saber: profissionais da informação; arquivistas e museólogos; técnicos em biblioteconomia; técnicos em museologia e afins; auxiliares de serviços de documentação, informação e pesquisa. Apresenta-se o contingente de profissionais no país e; então, mostra-se a distribuição desses profissionais nas diversas regiões. Aborda-se ainda uma caracterização de cada grupo ocupacional, através de indicadores de escolaridade, posição na ocupação e o rendimento médio. Mostra-se que o contingente de profissionais do grupo é de 0,1%, em relação ao total da população ocupada no país, com concentração maior nos estados do Sul e Sudeste. Dentre as categorias analisadas os Profissionais da Informação apresentam melhor inserção ocupacional e rendimentos, ainda que em relação aos demais profissionais das Ciências e Artes a situação não seja das mais virtuosas, ao contrário do que poderia intuir pela bibliografia na área.

MORENO, Edinei A. et al.  A formação continuada dos profissionais bibliotecários: análise do conteúdo dos sites das entidades de classe.   Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 12, n. 1, p. 43-58, jan./jun., 2007.

Trata da importância na formação contínua dos profissionais bibliotecários no Brasil. Identifica as entidades de classe brasileiras ligadas à Biblioteconomia, as categorias da educação continuada manifestadas e a forma em que o tema está sendo divulgado. Considera como educação continuada os cursos de especialização, participação em eventos e cursos de curta duração. Analisa o conteúdo documental dos sites das entidades, investigando as ações relacionadas ao incentivo da educação continuada. Conclui que a formação continuada do profissional bibliotecário é incentivada e divulgada pelas entidades da categoria.

SILVA, Neusa C.; DIB, Simone F.; MOREIRA, Maria José.  Panorama do mercado de trabalho em instituições públicas: o profissional bibliotecário em questão.  Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 3, n. 2, p.67-79, jul-dez. 2007.

Discorre sobre o mercado de trabalho para profissionais bibliotecários, enfocando relatos de pesquisas no Rio de Janeiro e em outros estados do Brasil. Apresenta as instituições públicas federais e seus requisitos de seleção, especificamente os concursos públicos realizados no Rio de Janeiro, como forma de ingresso no mercado de trabalho. Analisa alguns aspectos desses concursos, ocorridos em 2006, como a oferta e a demanda, a remuneração oferecida, o conteúdo intelectual exigido, dentre outros. O estudo teve por base os editais, as provas e as informações dos sites das instituições que os organizam.

2006

AZEVEDO, Liliane J.; GOMES, Suely.  O mercado de trabalho para os profissionais da informação no contexto de empresas brasileiras das regiões geográficas norte, nordeste e centro-oeste.  Informação & Sociedade, João Pessoa, v. 16, n. 1, p. 231-241, jan./jun. 2006.

Este artigo identifica a demanda por profissionais da informação, no contexto das empresas brasileiras, tomando como referência as regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste do Brasil. É uma pesquisa de natureza documental e exploratória. A população foi constituída por anúncios de empregos veiculados via online em site de recrutamentos de recursos humanos. A análise dos dados aponta quem são esses profissionais da informação, as habilidades e pré-requisitos demandados pelo mercado. As principais conclusões revelam que as empresas ainda recrutam esses profissionais dentro de uma perspectiva tradicionalista e que as potencialidades e contribuições de alguns dos profissionais da informação para a competitividade nem sempre são reconhecidas pelo mercado de trabalho.

CUNHA, Miriam V.  Espacios de trabajo para profesionales de La información en Brasil: resultados preliminares.  Scire, v. 12, n. 2, p. 27-36, jul./dic. 2006.

El mundo actual puede comprenderse a través de sus múltiples facetas culturales, políticas, económicas y sociales. Los cambios en la sociedad del conocimiento están llevando a los profesionales de la información a redefinir sus roles en los espacios tradicionales de actuación. Estos nuevos aspectos del trabajo crean nuevas relaciones entre las profesiones y posibilitan, en algunos casos, la ruptura de lãs fronteras entre ellas. La explosión de la comunicación a través de Internet y la adición del valor de la información como recurso estratégico llevan cada vez a más personas a trabajar con fuentes de información. Este movimiento crea tensiones y nuevas oportunidades de alianzas en este espacio. La combinación de estos movimientos, tensiones y alianzas forma un campo de competencia nuevo o, mejor dicho, una nueva jurisdicción profesional (Abbott, 1988). Las listas de discusión de ciencias de la información y sitios específicos divulgan en Brasil, desde el año 2000, ofertas de trabajo para profesionales de la información. El objetivo de este estudio es conocer y caracterizar las ofertas de empleo para profesionales de la información disponibles en Internet entre 2005 y 2006. Utiliza la técnica de análisis de contenido de Bardin (2004) y tiene como criterios de análisis la fecha Del anuncio, la fuente de información, el tipo de profesional, la ciudad y la formación y función solicitadas. Los primeros resultados evidencian que la mayoría de lãs ofertas son para bibliotecarios y archiveros y se concentran en las grandes ciudades brasileñas, como Río de Janeiro y São Paulo.

DUTRA, Tatiana N. A.; CARVALHO, Andrea V.  O profissional da informação e as habilidades exigidas pelo mercado de trabalho emergente.  Encontros Bibli, Florianópolis, n. 22, jul./dez. 2006.

Diante de um novo perfil do emprego e do mercado de trabalho – que se transforma marcadamente em face das tecnologias de informação e comunicação (TIC) há uma demanda por profissionais munidos de novas habilidades e competências. Assim, objetiva-se, de modo geral, analisar as novas habilidades demandadas pelo mercado de trabalho atual para o profissional da informação. Para tanto, busca-se especificamente, caracterizar os fatores determinantes do contexto atual; verificar o impacto das TIC no mercado de trabalho do profissional da informação; e conhecer as transformações ocorridas no perfil deste profissional frente a estas mudanças. Para alcançar os objetivos propostos recorreu-se à pesquisa bibliográfica, bem como à análise de anúncios de empregos divulgados no website Catho On-line. A análise dos dados se deu de forma comparativa entre os anos de 2003 e 2005 e, permitiu concluir que as habilidades exigidas para o profissional da informação na atualidade dizem respeito, além dos conhecimentos técnicos, a fluência em idioma estrangeiro, ao domínio da informática, aos conhecimentos gerencias e, principalmente, às habilidades interpessoais.

LUCENA, Gertha Maria C.; SILVA, Alzira Karla A.  Expansão do mercado de trabalho para o bibliotecário: um caso para o marketing.  Biblionline, v. 2, n. 1, 2006.

Objetiva identificar a visão do mercado sobre o bibliotecário, no âmbito das organizações financeiras (bancos) da cidade de João Pessoa/PB, como também a opinião de professores e formandos do curso de Biblioteconomia, quanto a atuação desse profissional e a necessidade de divulgação neste mercado. Teoricamente, discute o conceito de unidades de informação, ressaltando que uma organização financeira, por exemplo, pode ser considerada como tal; destaca aspectos da atuação do profissional bibliotecário em organizações com e sem fins lucrativos; apresenta o marketing como ferramenta para a projeção no mercado ainda não explorado. O campo de pesquisa são os bancos Bradesco, Rural, Unibanco, HSBC e Itaú, os sujeitos são os gestores desses bancos, os professores do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal da Paraíba e os formandos do período 2003.2, sendo aplicado três questionários distintos. A análise e interpretação dos resultados constatam, dentre outros aspectos, que o mercado (bancos) tem um conhecimento muito restrito do bibliotecário e que professores e formandos têm ciência desse desconhecimento. Identifica que urge a necessidade de se realizar uma divulgação junto aos mercados ainda não explorados. Conclui que é necessário enfocar o marketing, especificamente o marketing pessoal, para que o bibliotecário amplie seu espaço no mercado de trabalho, passando a ser reconhecido como um profissional da informação e não como um profissional da biblioteca.

MIRANDA, Ana Cláudia C.; SOLINO, Antonia S.  Educação continuada e mercado de trabalho: um estudo sobre os bibliotecários do Estado do Rio Grande do NortePerspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 11, n. 3, p. 383-397, set./dez., 2006.

Apresentar a importância e necessidade da educação continuada para os profissionais bibliotecários que atuam no Estado do Rio Grande do Norte. Entende-se que a análise dessa temática neste momento de aceleradas mudanças frente aos avanços das novas tecnologias é essencial para o redirecionamento e posicionamento desses profissionais no mercado de trabalho. Os resultados da pesquisa evidenciaram que os profissionais reconhecem a importância da educação continuada como um instrumento de aperfeiçoamento e atualização, capaz de auxiliá-los na aquisição de um conjunto de habilidades, atitudes e comportamentos necessários ao desempenho eficiente de sua prática profissional.

RUBI, Milena P.; EUCLIDES, Maria Luzinete; SANTOS, Juliana C.  Profissional da informação, atuação profissional e marketing para o mercado de trabalho.  Informação & Sociedade, João Pessoa, v. 16, n. 1, p.79-89, jan./jun. 2006.

O tripé informação, tecnologia e globalização e as mudanças no mercado de trabalho exigem dos profissionais da informação novas funções sociais e perfis profissionais. Nosso objetivo é destacar, a partir da literatura, aspectos importantes relacionados ao perfil do bibliotecário, referentes à formação acadêmica e continuada, à atuação profissional, ao mercado de trabalho e ao marketing profissional e pessoal. Consideramos que todos esses aspectos servirão para caracterizar esse profissional da informação que necessita estar apto a atuar em consonância com as atuais exigências da nossa sociedade.

2005

FONSECA, Fábio José L.; FONSECA, Fernanda Maria L.; FONSECA, Nádia L.  Ruptura de paradigmas biblioteconômicos, autoformação e mercado de trabalho: estudo de caso.  ACB,  v .10, n. 2, p. 207-223, jan./dez., 2005.

Relaciona a atuação e inserção do bibliotecário brasileiro no mercado de trabalho aos paradigmas biblioteconômicos ainda vigentes: foco no acervo, informação vista apenas como bem social e predominância do ambiente de trabalho biblioteca. Discute alguns paradoxos profissionais relacionando-os aos paradigmas e às competências e habilidades requeridas nas organizações. Demonstra que o rompimento de tais paradigmas contribuirá para ampliar a visão e as oportunidades de trabalho, da mesma forma que os princípios do empreendedorismo e da inovação, quando aplicados à autoformação, prática esta sugerida para fazer face aos desafios profissionais, na atualidade. Conclui apresentando estudos de casos representativos das teses defendidas.

2003

FERREIRA, Danielle T.  Profissional da informação: perfil de habilidades demandadas pelo mercado de trabalho.  Ciência da Informação, v. 32, n. 1, p. 42-49, jan./abr. 2003.

Doze empresas de consultoria em recrutamento e seleção de recursos humanos foram estudadas para obter informações acerca da demanda atual do mercado de trabalho. Foram levantadas e analisadas as literaturas sobre o mercado de trabalho, as qualificações profissionais requeridas pelo mercado e as informações obtidas em depoimentos de empregadores. O estudo trouxe quatro conclusões principais: (1) os profissionais devem desenvolver continuamente suas habilidades técnicas típicas de ciência da informação, bem como suas atitudes comportamentais; (2) as potencialidades desses profissionais nem sempre são reconhecidas pelo mercado de trabalho; (3) como conseqüência, não é comum encontrar profissionais da informação ocupando posições superiores como analistas ou gerentes; (4) as causas principais das deficiências são tanto a falta de desenvolvimento dessas habilidades durante o período de formação, quanto a falta de reconhecimento do perfil dos profissionais da informação pelo mercado e da auto-imagem por eles mesmos.

NASCIMENTO, Anízia Maria C.; FIGUEIREDO, Etienny Kelen P.; FREITAS, Georgete L. Redimensionamento do profissional da informação no mercado de trabalho.  Infociência, São Luís, v. 3, p. 31-43, 2003.

Mercado de trabalho do profissional da informação. Destacam- se as mudanças e exigências da sociedade. Identificam- se os cenários de trabalho, visando-se o delineamento do perfil profissional bibliotecário mediante perspectivas educacionais.

2002

ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco.  Formação, formatação: profissionais da informação produzidos em série.   In: VALENTIM, Marta Lígia (Org.).  Formação do profissional da informação.  São Paulo: Polis, 2002. p. 133-148.

1º § à Vivemos hoje uma crise das profissões. Tal crise não se relaciona exclusivamente com a reclusão do mercado de trabalho, uma vez que essa situação já se consolidou de há muito. Ela é mais profunda e se aproxima das demandas básicas de um mundo globalizado.

BIANCARDI, Alzinete Maria R. et al.  O cenário do mercado de trabalho em biblioteconomia na percepção dos empresários capixabas.  Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 7, n. 2, p. 167-178, jul./dez. 2002.

Apresenta o cenário do mercado de trabalho em biblioteconomia na percepção dos empresários capixabas. Aponta a atual situação de empregabilidade do bibliotecário nesse mercado, sugerindo estratégias para promover maior integração do empresariado com a biblioteconomia e para viabilizar mudanças da imagem do bibliotecário junto ao segmento empresarial.

VALENTIM, Marta Lígia P.  Formação: competências e habilidades do profissional da informação.  In: VALENTIM, Marta Lígia (Org.).  Formação do profissional da informação.  São Paulo: Polis, 2002.

1º § à Para abordar a formação profissional sob o paradigma da Ciência  da Informação, primeiramente, é necessário entender o campo de estudo da área “que abarca todos os fenômenos ligados a produção, organização, difusão e utilização de informações”. É necessário, além disso, compreender o seu objeto “a informação registrada, acatadas as respectivas formas de vê-la, processá-Ia e utilizá-Ia, consoante diferentes tradições e marcos teóricos e, como disciplinas instituidoras de ambientes ele mediação entre acervos (‘estoques’ informacionais) e necessidades do usuário” (Diretrizes, 2001).

2001

CRISPIM, Adriana C.; JAGIELSKI, Shyrlei Karyna.  Consultoria e o profissional da informação: um campo em expansão.  ACB, v. 6, n. 1, p. 146-156, 2001.

É uma análise do atual mercado de trabalho para o profissional da área de informação, baseado em experiências pessoais de consultoria e empregabilidade e sustentado pela literatura existente na área. Expõe as novas necessidades e exigências desse mercado, apontando como conseqüência a mudança do perfil das pessoas que trabalham na área de informação especificamente do consultor no tratamento da informação. Tenta mostrar o que as empresas, em geral, exigem deste novo profissional e as características que deve ter para sobreviver e ter atitudes pró-ativas, buscando o seu aperfeiçoamento contínuo. Procura nortear os profissionais que estão ingressando na área de consultoria em unidades de informação, sobretudo recém formados, com relação a forma de cobrança e alguns passos para a venda do seu produto, mostra que por mais difícil que possa parecer, há um espaço grande e importante que deve ser ocupado pelo profissional da informação, e tomar evidente a sua capacidade para desenvolver um trabalho de qualidade e de grande interesse, principalmente empresarial. Considerou-·se unidade de informação como sendo arquivos, bibliotecas e centros de documentação empresariais. E como profissional da informação os arquivistas, bibliotecários e documentalistas.

2000

BANDEIRA, Gabrielle P.; OHIRA, Maria Lourdes B.  Quem é o bibliotecário em exercício no Estado de Santa Catarina: mercado de trabalho. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 19., 2000, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: UFRGS, 2000.

Conhecer o mercado de trabalho do bibliotecário em exercício no estado de Santa Catarina e o perfil do profissional atuante neste mercado, foram objetivos da presente pesquisa. A forma de ingresso no mercado de trabalho deu-se principalmente através do concurso público e o governo do estadual é o maior empregador. O fato que mais influenciou na escolha do curso foi o conhecimento prévio e a admiração pela profissão. Identificou-se quais os conhecimentos, habilidades e atitudes que deve possuir o profissional da informação.

BAPTISTA, Sofia G.; LIMA, Arian M.; ROSÁRIO, Marmenha Maria R.  Investigação sobre o mercado de trabalho para o bibliotecário na internet: relato de pesquisa em andamentoRevista de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, v. 23/24, n. 2, p. 209-220,1999/2000.

Trata-se de um relato de pesquisa em andamento sobre mercado de trabalho na Internet. Mostra resultados preliminares obtidos sobre as atividades dos bibliotecários que foram coletados por meio de entrevistas com os profissionais formados pela Universidade de Brasília no período de 1995 a 2000 e por meio da observação de sites de biblioteca de Brasília, DF.

CUNHA, Miriam V.  O profissional da informação e o mercado de trabalho.  Informação & Sociedade, João Pessoa, v. 10, n. 1, p. 159-167, 2000.

1º § à Estamos vivendo um momento de grandes mudanças. Mudanças tecnológicas, econômicas e sociais que alteram nossa capacidade de pensar, de agir, de nos comunicarmos. O objetivo deste trabalho é refletir sobre o significado destas mudanças para o profissional da informação e levantar algumas questões. Este questionamento se originou da pesquisa que realizamos sobre o perfil do profissional da informação no mercado de trabalho brasileiro e francês (Cunha, 1998).

VALENTIM, Marta Lígia P.  O moderno profissional da informação: formação e perspectiva profissional.  Encontros Bibli, n. 9, p. 16-28, 2000.

O profissional da informação, neste caso o bibliotecário, precisa mudar seus paradigmas. A sociedade da informação vem se consolidando no Brasil e exige um profissional com características, capacidades e habilidades modernas, no que diz respeito a sua atuação no mercado de trabalho. As perspectivas sócio-econômicas neste final de século em relação ao bibliotecário, são no mínimo interessantes, uma vez que a informação é insumo de trabalho de vários profissionais, bem como tem contribuído para o desenvolvimento das organizações e das nações.

 

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Ontologias e terminologia: levantamento bibliográfico

Enquanto realizava a costumeira limpeza no computador ou, para usar uma linguagem mais elaborada, enquanto exercia uma política de desbastamento da minha coleção particular de recursos digitais, rs, encontrei algo que, imaginei, poderia interessar a outros estudiosos sobre o tema das ontologias e da terminologia, compreendidas stricto sensu no domínio da ciência da informação. Passo, então, a compartilhá-lo.

Trata-se de um levantamento sobre artigos de periódicos da grande área da ciência da informação que abordassem, com algum grau de aprofundamento, as questões relacionadas às ontologias e à terminologia, consideradas individualmente, ou, caso mais raro e que mais me interessava na ocasião, aqueles que as relacionassem entre si. A pesquisa bibliográfica tinha como motivo colher elementos para minha pesquisa de doutoramento e foi realizada por meio da LISA, incluindo periódicos em variados idiomas que estivesem compreendidos no período que vai de 2004 a 2008. Claro está, portanto, que desatualizou-se, mas espero que ainda seja útil a algum interessado e, por que não, que alguém possa atualizá-la.

Cada item apresenta elementos para a referência completa, embora não estejam normatizados, e inclui resumo e palavras-chave. Clique para visualizá-la.

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Como separar páginas numeradas e não numeradas no Word

Separando páginas numeradas e não numeradas no Word 2007
Prof. Walter Moreira – Unesp/FFC/DCI – walter.moreira@marilia.unesp.br

Para que a numeração apareça apenas na parte textual do TCC (ou seja, a partir da Introdução) é preciso usar um recurso chamado “Quebra de seção”. Este recurso possibilita a divisão do documento em partes (seções), como se existisse mais de um arquivo dentro do mesmo documento.
Passo-a-passo
1. Abra o documento e clique no final da última linha que contém o Sumário.

2. Na aba Início, clique em Mostrar tudo, localizado no canto superior direito do bloco Parágrafo (Figura 1)

Figura 1 – Mostrar tudo

3. Na aba Layout da Página, clique em Quebras e, dentro de Quebra de Seção, clique em Próxima Página (Figura 2).

Figura 2 – Quebras

4. Após este processo, o final de sua página deve ficar como na Figura 3.

Figura 3 – Quebra de seção (próxima página)

5. Dê um clique duplo no cabeçalho da página seguinte à que contém a Quebra de Seção, no nosso caso, a página de Introdução. Observe as informações Cabeçalho-Seção2-, à esquerda, e Mesmo que seção anterior, à direita. Observe também que aparece acionada aba Design, com a função Vincular ao Anterior ativada (Figura 4).

Figura 4 – Cabeçalho de seção

6. O “segredo” está exatamente nesta opção. Em nosso caso queremos cabeçalhos diferentes nas duas seções, isto é, queremos número de página apenas na seção 2 (desvinculada da seção 1), por isso é preciso desabilitar a função Vincular ao Anterior.

7. Agora podemos inserir o número de página. Para isso clique na aba Inserir, selecione a opção Número de página, depois em Início da página e, se preferir, Números sem formatação (Figura 5).

Figura 5 – Inserir número de página

Pronto!

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As bibliotecas vão sobreviver

Bom humor é tudo… Libraries will survive. Confira o divertido vídeo do pessoal da The Central Rappahannock Regional Library

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Um olhar para a rede

Ainda somos carentes de bons pensadores sobre o universo das redes. Concorda? É inegável que há uma produção relativamente grande de artigos de periódicos e reflexões mais ou menos profundas, bem ou mal fundamentadas, veiculadas nos diversos blogs e outros equivalentes que se dedicam a estas e outras questões paralelas. O interesse que o tema desperta é compreensível, pois, de certo modo, a tentativa de compreender esta “era das redes” é, na verdade, uma tentativa de autocompreensão; uma velho hábito de compreender-se compreendendo o meio.

O problema encontrado em grande número dos textos, contudo, é a falta de profundidade no que tange aos aspectos filosóficos e sociológicos da questão. Não é todos dia que aparecem reflexões sobre a rede como as que produz Castells ou Benkler, por exemplo, ou como as que realiza Aldo Barreto no interior da Ciência da Informação.

Encontrar bons livros gratuitos sobre o tema então é quase uma fantasia. Por estes motivos resolvi chamar a atenção para o livro Olhares da rede, resultado dos debates realizados pelo Grupo de Pesquisa de Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede (Tecred), da Faculdade Cásper Líbero. Os debates foram realizados com base nos textos de cinco autores que pensam as redes digitais e a cibercultura: Yochai Benkler, Manuel Castells, Henry Jenkins, Lawrence Lessig e Douglas Rushkoff.

Transcrevo abaixo o sumário da obra para facilitar sua consulta e aguçar sua curiosidade:

  • Benkler: as redes e a nova “mão invisível” – O papel da tecnologia; As mudanças na economia; A questão da esfera pública; Diferenças fundamentais; Capacidade de reação da esfera pública interconectada; Críticas ao afeito democratizante da Internet.
  • Douglas Rushkoff: nos meandros do caos – A pós-modernidade e o caos; Screenagers; Rushkoff vs McLuhan
  • Lessig: a regulamentação da cultura - A regulação das múltiplas possibilidades; Eldred; Uso-justo; Precaução Regulamentação: quatro tipos de coerção; Empresas de entretenimento: os “legais” de hoje são os piratas de ontem; Creative Commons e a luta por uma cultura livre; Futuro sombrio ou liberdade de dádiva?
  • Castells: a era do informacionalismo - Do capitalismo ao informacionalismo; Da informação de massa ao surgimento de redes interativas; O espaço de fluxos e o tempo intemporal da sociedade em rede; Considerações finais: a sociedade em rede.
  • Jenkins: a cultura da participação - A lógica cultural da convergência de Mídia; O conceito de Affective Economics; O conceito de Transmedia Storytelling; Cultura participativa.

Boa leitura!

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Linguagem e ontologia

Li recentemente um livro muito interessante intitulado Ontología del lenguaje de um pensador chileno chamado Rafael Echeverría. A obra (para a qual não encontrei tradução em língua portuguesa) foi publicada em 1994 e nela o autor defende, com um esforço quase apaixonado, a ontologia da linguagem como condição para compreender o que significa o ser humano em sua relação com a linguagem, como permite antever o título.

Para o desenvolvimento de sua proposta Echeverría apresenta três postulados básicos: a) a interpretação dos seres humanos como seres linguísticos; b) a interpretação da linguagem como generativa e c) o entendimento de que os seres humanos desenvolvem-se na linguagem e por meio dela. Apresento abaixo uma síntese dessas ideias (até quando ainda vou insistir em acentuar esta palavra?), no intuito de que o leitor se interesse pela obra e pelo debate.

Primeiro postulado: os seres humanos como seres linguísticos

Para não cair na tentação fácil do reducionismo, é preciso entender que priorizar a linguagem não prescinde de outras dimensões não linguísticas da existência humana. A opção pela linguagem deve-se ao fato de que é precisamente pela linguagem que é possível ao ser humano reconhecer os domínios existenciais não-linguísticos e é também por meio da linguagem que conferimos sentido à nossa própria existência. Citando textualmente Echeverría (2003, p. 206, tradução nossa):

O que chamamos mente, razão, espírito, consciência etc., são todos fenômenos baseados na capacidade recursiva da linguagem. Quanto mais nos deslocamos na cadeia recursiva da linguagem, mais somos capazes de observar nossas vidas como um todo, quanto mais nos aproximamos do mistério da vida, mais espirituais tornam-se nossas experiências. Quanto mais falamos “sobre” nossas experiências, ou “sobre” a experiência de falar sobre as nossas experiências, mais reflexivos nos tornamos.

Segundo postulado: o entendimento da linguagem como generativa

A linguagem, numa concepção tradicional, é vista como instrumento para descrever a realidade externa (o que percebemos) ou interna (o que pensamos ou sentimos). Há aí duas concepções fundamentais: a capacidade passiva ou descritiva da linguagem e a crença de que a realidade antecede a linguagem. Com os progressos no campo da filosofia da linguagem surgem novas compreensões que permitem compreender que a linguagem não só descreve o mundo, mas também o faz acontecer, permite realizar coisas, isto é, possui função não apenas descritiva, mas também generativa.

O filósofo britânico J. L. Austin foi o primeiro a enfatizar essa qualidade ativa da linguagem ou, usando suas próprias palavras, a natureza ‘executante’ (‘performativa’) da linguagem. Nesta concepção, mesmo quando descrevemos, estamos “fazendo” uma descrição e, portanto, estamos atuando.

Terceiro postulado: a compreensão de que os seres humanos se criam na linguagem e por meio dela

Não sabemos realmente como as coisas são, sabemos apenas como ela se nos aparecem, sabemos como as observamos ou como as interpretamos. Vivemos em mundos interpretativos. A linguagem não é, deste ponto de vista, ingênua, pois qualquer interpretação altera a quantidade e a qualidade das possibilidades.

Não é apenas o que somos que dirige nossas ações; também somos de acordo com o modo como atuamos. A ação cria o ser e o ser evolui de acordo com o que faz.

É certo que os indivíduos atuam de acordo com os sistemas sociais aos quais pertencem, mas, ainda que condicionados por estes sistemas, também podem mudá-los. A linguagem é, aliás, ela mesma, fruto da interação social; a capacidade biológica para a linguagem não a cria, necessariamente.

Tratar o indivíduo e seu mundo como construções linguísticas abre possibilidades interessantes de interpretações. O autor examina, por exemplo, o domínio do sofrimento humano. O sofrimento, defende, é um fenômeno linguístico, e é isto que o diferencia da dor. O sofrimento é dependente de interpretações; sem linguagem não haveria sofrimento.

Já parou para pensar nisso?

ECHEVERRIA, Rafael.  Ontologia del lenguaje. 7.ed.  Santiago: J.C. SÁEZ, 2003.

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Um frio na espinha

Vivi recentemente duas emoções marcantes, de natureza e intensidade diferentes, mas irmanadas por aquilo (para o qual eu ainda não conheço o nome) que todas as emoções guardam entre si e que no senso comum é traduzido pela expressão “frio na espinha”. A primeira delas ocorreu no dia 10 abr., quando assisti pela primeira vez a um show de Maria Bethânia; a segunda no dia 23 abr., data de minha defesa de tese de doutorado, como já havia anunciado neste espaço.

Confesso: começo este post sem saber realmente como poderei unir coisas tão distantes como Bethânia e as ontologias, mas depois de vencer quatro horas de banca, considero este um desafio bem mais simples. Vamos a ele.

Baseado nos CDs mais recentes Tua e Encanteria, o show de Maria Bethânia foi realizado no Citibank Hall. A casa (cujo nome, na minha cabeça ainda é Palace) é  belíssima, elegante e com o aconchego ideal para um show intimista como o que vi. A turnê de Bethânia intitula-se Amor, festa, devoção, ensinamentos de Dona Canô para o bem viver, segundo declara a própria Bethânia em um dos momentos mais emocionantes do espetáculo. Bethânia conta isso logo após interpretar (e que interpretação!) Não identificado, de Caetano Veloso. Eis o que ela diz:

“Essa canção (‘Não Identificado’), do Caetano, era a música preferida do meu pai. Sempre imaginava que ele dedicava, silencioso, à minha mãe. Comigo acontece algo parecido. Mas Deus me deu voz. E assim faço ecoar no tempo o nosso amor por ela. Amor, festa, devoção. Ensinamentos dela para bem viver. Meu canto é teu, minha senhora”.

Só mesmo um “filho de chocadeira” é capaz de não se emocionar com isso. Ainda mais quando se considera que ela mal dá tempo para que nos recuperemos e inebria a todos com Estrela, de Vander Lee. Se você quiser experimentar um simulacro dessa emoção procure o vídeo no YouTube, há sempre uma boa alma que praticamente perde o show no afã de captar e disponibilizar algo.

O espetáculo é todo emocionante. “No Brasil hoje, quem canta e manda é Bethânia” afirmou recentemente Jaime Alem, violonista que a acompanha há 27 anos, a quem Bethânia chama de Maestro. Ele sabe o que diz. O que há de mais envolvente na figura de Maria Bethânia é sua autenticidade. Gosto de sua atitude, de sua fuga de rótulos, e me identifico plenamente com as coisas que ela valoriza, tão bem expressas no título do espetáculo.

De como Bethânia se relaciona com minha tese.

Primeiramente é bom que se saiba: não se constrói uma tese sem uma boa dose de amor e devoção (minha mãe também me ensinou isso). Sem amor ao conhecimento e devoção completa à pesquisa científica é impossível qualquer avanço neste tipo de conhecimento. Pesquisar e produzir um relato de pesquisa, digo sempre, é um exercício completo de humildade, pois é preciso, diariamente, tomar contato com seus limites e com as crueldades da própria ignorância. Para escrever é preciso ler, ler muito e é preciso igualmente escrever e reescrever infinitas vezes o mesmo trecho. O que há de mais complexo no processo de pesquisa, penso, é exercitar a capacidade de desvencilhar-se das coisas que não poderão ser contempladas no trabalho, seja por conta do recorte temático ajustado, seja por conta do tempo, ou, de novo ela, seja por conta da própria limitação da compreensão do assunto. Por que então, pesquisar? Podem perguntar os mais apressados. Pela festa, eu diria, pelo prazer de poder contemplar algumas pequenas coisas com lentes mais limpas. Pela inenarrável alegria que se experimenta quando os próprios limites são superados. Pelo friozinho na espinha. Pela compreensão, afinal, de que Deus também me deu voz.

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Alguma coisa sobre Paul Otlet

Uma vez li um artigo que questionava sobre quais seriam os “alemães mortos” da biblioteconomia. Em busca da compreensão teórica e histórica deste campo o autor perguntava sobre quais seriam os clássicos que os estudantes de biblioteconomia deveriam, obrigatoriamente, ler,  a exemplo do que ocorre com os estudantes de sociologia que devem ler Marx, Weber, Durkheim, entre outros.

Com resolvi falar hoje aguma coisa sobre Otlet, lembrei-me desse artigo e, maravilha das maravilhas, com uma rápida busca no Google, encontrei-o. Trata-se de um artigo de Sidney J. Pierce, intitulado Dead germans and the theory of librarianship. Lembro-me de ter lido este texto ainda na época do mestrado (por volta de 1998) e que nesta ocasião solicitei cópia dele à ALA, no que fui pronta e gentilmente atendido,  recebendo o artigo, acredite, via fax (será que os mais novos sabem o que é isso?). Como acontece com quase todas as boas perguntas, a pergunta de Pierce também fica sem resposta, ou, pelo menos, não oferece uma resposta do modo mais direto ou pragmático como encaramos este conceito.

Com a busca, acabei descobrindo também que a provocação de Pierce inspirou um projeto desenvolvido pela Escola de Ciência da Informação da University of Tennenssee, Knoxville, que pretende reunir biografias de pessoas significantes para a compreensão das bases teóricas e práticas da ciência da informação. Não pude precisar se o projeto ainda está ativo. De qualquer modo,  confiram, quem sabe isso pode lhes inspirar a identificar quais seriam os “alemães mortos” presentes nas bibliografias dos cursos de biblioteconomia brasileiros.

O que Otlet tem a ver com isso? O advogado pacifista belga Paul Otlet (1868-1944), a quem devemos a CDU é, sem dúvida, um dos nossos mais caros “alemães mortos”. Seu Tratado de documentação deveria figurar como leitura obrigatória em todos os cursos de biblioteconomia, documentação ou ciência da informação. A título de incentivo e como introdução, seguem uma breve bibliografia com preferência paras os textos disponíveis na rede (compilada já há algum tempo e que não tem qualquer pretensão de ser exaustiva) e um vídeo muito interessante sobre o sonhador Otlet, a quem alguns caracterizam também como o idealizador da internet.

B

  • BARRETO, Aldo A. Tecnoutopias do saber: redes interligando o conhecimento, As. DataGramaZero, v.6, n.6, dez. 2005. Disponível em: [http://datagramazero.org.br/dez05/Art_01.htm] Acesso em: 12 dez. 2005
  • BRUNA, Javier Salvador. Recepción de la obra otletiana en España a través del análisis cualitativo de citas. Documentación de las Ciencias de la Información, n. 29, p. 25-69, 2006. Disponível em: [http://eprints.rclis.org/archive/00008570/] Acesso em: 01 set. 2007
  • BUCKLAND, Michael. Information retrieval of more than text. Journal of the American Society for Information Science, v. 42, p. 586-588, 1991. Disponível em: [http://www2.sims.berkeley.edu/~buckland/irmoretext.pdf] Acesso em: 17 jul. 2007.

C

D

  • DAY, Ronald E. The modern invention of information: discourse, history and power. Carbondale: Southern Illinois University Press, 2001. Resenha de: WILSON, T. D. Information Research, v. 8, n. 1, 2002. Disponível em: [http://informationr.net/ir/reviews/revs072.html] Acesso em: 17 jul. 2007
  • __. The modern invention of information: discourse, history and power. Carbondale: Southern Illinois University Press, 2001.

F

G

  • GARCIA, Hilda Lelis; CÁRDENAS, Celia Mireles. Aportaciones de Paul Otlet a la Bibliotecología actual. Liber, v. 4, n. 3, p. 22-26, jul./set., 2002. Disponível em: [http://eprints.rclis.org/archive/00003495/] Acesso em: 01 set. 2007.

H

  • HELLEMANS, Jacques. Paul Otlet (1868-1944): fondateur du mouvement bibliogique international. In: COLLOQUE INTERNATIONAL DE BIBLIOLOGIE, SCIENCE DE LA COMMUNICATION ÉCRITE, 19., 2006, Alexandrie. Proceedings… Disponível em: [http://www.aib.ulb.ac.be/2006-alexandrie/fulltext/hellemans.pdf] Acesso em: 18 jul. 2007.

J

L

  • LEVIE, Francoise. L’homme qui voulait classer le monde: Paul Otlet et le Mundaneum. Brussels: Les Impressions Nouvelles, 2006.
  • __. The Man Who Wanted to Classify the World: From the Index Card to the World City, the Visionary Life of a Belgian utopian, Paul Otlet (1868-1940). Documentary by Francoise Levie. Sofidoc Production, 46 rue Colonel Bourg, B-1030 Brussels, Belgium.

N

P

  • PEREIRA, M. N. F., PINHEIRO, L.V.R. (orgs.). O sonho de Otlet: aventura em tecnologia da informação e comunicação. Rio de Janeiro, Brasília: IBICT, DEP/DDI, 2000.

R

  • RAYWARD, W. B. International Organisation and Dissemination of Knowledge: selected essays of Paul Otlet, edited and translated by W. Boyd Rayward. Amsterdam: Elsevier, 1990.
  • __. The case of Paul Otlet, pioneer of information science, internationalist, visionary: reflections on biography. Journal of Librarianship and Information Science, v. 23, p. 135-145, sep. 1991. Disponível em: [http://people.lis.uiuc.edu/~wrayward/otlet/PAUL_OTLET_REFLECTIONS_ON_BIOG.HTM] Acesso em: 30 jul. 2007.
  • __. The Origins of Information Science and the International Institute of Bibliography/ International Federation for Information and Documentation (FID). Journal of the American Society for Information Science, n. 48, apr. 1997.
  • __. Visions of Xanadu: Paul Otlet (1868-1944) and hypertext. Journal of the American Society for Information Science, v. 45, n. 4, p. 235-250, 1994. Disponível em: [http://people.lis.uiuc.edu/~wrayward/otlet/xanadu.htm] Acesso em: 17 jul. 2007.
  • __. The Universe of Information: The Work of Paul Otlet for Documentation and International Organization. (FID 520). Moscow: VINITI, 1975.

S

  • SANCHEZ, Juan Manuel Z. El paradigma otletiano como base de un modelo para la organización e difusión del conocimiento científico. Tesina (Licenciado em Bibliotecologia) – Colegio de Bibliotecologia, Facultad de Filosofía y Letras, Universidad Nacional Autónoma de México, México, 2001. Disponível em: [http://eprints.rclis.org/archive/00004752/] Acesso em: 02 set. 2007.
  • SANDER, Susana. La sociedad del conocimiento en Paul Otlet: un proyecto comteano. Investigacion Bibliotecologica, v. 16, n. 32, 2002. Disponível em: [http://www.ejournal.unam.mx/iibiblio/vol16-32/IBI03203.pdf] Acesso em: 18 jul. 2007.
  • SANTOS, Paola de Marco L.  Paul Otlet: um pioneiro da organização das redes mundiais de tratamento e difusão da informação registrada.  Ciência da Informação, v. 36, n. 2, p. 54-63, 2007.  Disponível em: [http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/971/719].  Acesso em: 10 abr. 2010.
  • SANTOS, Paola de Marco L. Ponto de inflexão Otlet: uma visão sobre as origens da Documentação e o processo de construção do Princípio Monográfico. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível em: [http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-24092007-173121/] Acesso em: 23 abr. 2008

W

Y

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De volta das ontologias

Depois de um longo e (não tão tenebroso assim) inverno, estou de volta! De qualquer modo, minha longa ausência foi interessante, pois funcionou, as avessas, como um termômetro. Foi reconfortante receber, de algumas pessoas, cobranças sobre os motivos pelos quais não escrevia mais. É sempre bom saber-se lido.

Bem, o motivo da ausência todos sabem: tese. Andei completamente envolvido com a finalização (a tal fase terminal, rs) do trabalho. Olha, deu mesmo muito trabalho, mas não se compara em intensidade à satisfação de vê-lo cumprido.

A tese, que será defendida em 23 abr. 2010 (data, aliás, repleta de acontecimentos importantes, como os nascimentos de William Shakespeare (1564), Max Planck (1858), Pixinguinha (1897), além de ser o Dia de São Jorge), trata da interface teórico?prática entre terminologia, ontologia filosófica, ontologia computacional e linguística documentária. Busquei com este trabalhro investigar que subsídios estes campos oferecem para a construção de informações documentárias. Meus objetivos, portanto, foram, analisar as condições de produção, desenvolvimento, implementação, uso e integração de ontologias com base no referencial teórico da ciência da informação, investigar a contribuição das ontologias para o desenvolvimento de tesauros e vice?versa e discutir o fundamento filosófico da aplicação de ontologias com base no estudo das categorias ontológicas presentes na filosofia clássica e nas propostas contemporâneas.
Defendo que a compreensão das ontologias por meio da teoria comunicativa da terminologia colabora para a organização de um acesso menos quantitativo (sintático) e mais qualitativo (semântico) à informação. Ao longo do estudo pude observar que, conquanto compartilhem alguns
objetivos comuns, ainda há pouco diálogo entre a ciência da informação (e, no seu interior, a linguística documentária) e a ciência da computação.

Defendo também que as ontologias concretas e as ontologias filosóficas não são eventos completamente independentes que guardam entre
si apenas a similaridade de denominação e pude constatar que a discussão sobre categorias e categorização na ciência da computação, nem sempre possui a ênfase que recebe na ciência da informação, no âmbito dos estudos sobre representação do conhecimento.

A abordagem do rizoma, de Deleuze e Guattari, foi tratada como provocadora de reflexões sobre a validade do modelo hierárquico arborescente e sobre as possibilidades de sua ampliação.

Concluo que a construção de ontologias não pode prescindir do tratamento terminológico-conceitual, como compreendido pela terminologia e pela ciência da informação, acumulado nos referenciais teóricos e nas metodologias para construção de linguagens documentárias e que, por outro lado, a construção de linguagens documentárias mais flexíveis não pode ignorar o modelo de representação das ontologias, com mais predisposição para a formalização e para a interoperabilidade.

Pretendo, ainda, retomar algumas discussões que esboço na tese em posts rápidos e em artigos de periódicos.

Até a próxima!

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