Sociedade da informação ou informação para a sociedade

Há um certo consenso sobre o caráter de constructo da informação e de que ela pode ser compreendida também como uma condição para o conhecimento, algo que está “em vias de” ou “com potencial para” a produção de conhecimento. Isso está, evidentemente, longe de ser pacífico.

O conceito de informação (e o de conhecimento também) vem sendo discutido na ciência da informação há pelo menos seis décadas e dá poucas mostras de arrefecimento, como se pode verificar folheando (ou browseando) os principais periódicos da área ou mesmo os textos de outras áreas, já que a informação tornou-se “poder” nos dias de hoje.

De mais a mais, nem mesmo é minha pretensão conceituar informação nesse pequeno texto, no qual, aliás, ele, definitivamente, não cabe (nos dois sentidos da palavra).

O que há de conciliativo nesse debate é o fato de que o modo como o ser humano processa, apreende e produz informação ou conhecimento ainda está envolto por inúmeras variáveis não completamente mapeadas pelas ciências cognitivas. Isso por si só pode explicar muito do interesse que o fenômeno complexo da informação provoca. Como é costume dizer: a graça está exatamente no mistério!

Não foi preciso resolver todos os nossos problemas de saneamento básico ou de direitos humanos para que o homem chegasse à lua. Se isso é bom ou não, também não cabe nesse texto e eu não quero, por enquanto, esse debate. Cito esse fato apenas para que saibamos que algumas coisas são inexoráveis e que as mudanças não ocorrem de forma linear, absolutamente programada.

Independentemente, portanto, de termos uma compreensão exata e consensual sobre informação e conhecimento, eis que temos que lidar com os conceitos muito pomposos de “sociedade da informação” e “sociedade do conhecimento”. Duas advertências antes de seguirmos. Primeira: particularmente, não almejo o tal consenso mencionado no caput do parágrafo. Acho que isso seria, de alguma forma, reducionista. Prefiro a complexidade do conceito eternamente dialético. Segunda advertência: sei que o assunto não é exatamente novo, mas não sigo o critério exclusivo da novidade para selecionar os assuntos sobre os quais quero falar. Aplico, antes, a peneira da inquietação e do interesse.

A chamada sociedade da informação com as suas características peculiares, mesmo que ainda longe de consenso, só é possível pela utilização efetiva das tecnologias de informação e comunicação, com suas garantias de conectividade, instantaneidade e de diminuição dos efeitos da distância espacial. Targino (2000) nos lembra, entretanto, que a tecnologia não possui autonomia e que as inovações ocorrem “em meio a relações estabelecidas entre cultura, tecnologia e sociedade”.

Trata-se de iniciativa de diversos países, que envolve não apenas a informação científica e tecnológica, mas também a que se dá em outros níveis, como a informação que se vincula ao exercício da cidadania, por exemplo. O objetivo do Programa Sociedade da Informação no Brasil, conforme definido por Takahashi (2000), no Livro Verde, é “integrar, coordenar e fomentar ações para a utilização de tecnologias de informação e comunicação, de forma a contribuir para a inclusão social de todos os brasileiros na nova sociedade e, ao mesmo tempo, contribuir para que a economia do País tenha condições de competir no mercado global”.

Pode-se depreender, então, que a sociedade da informação não é um fim em si mesma, mas condição para a sociedade do conhecimento. Numa visão pragmática e utilitarista, como a apresentada na citação anterior, não há sentido em fazer circular informação sem que se estabeleçam condições para a criação e a circulação do conhecimento. As mudanças não ocorrem necessariamente – ainda é preciso relembrar – de modo linear e consecutivo. Ainda que admitamos tal consecução linear entre informação e conhecimento, isso é, ainda que aceitemos que a informação só completa seu ciclo ontológico quando se transforma em conhecimento, não é preciso grande esforço para sabermos que isso não ocorre por meio de força ou apenas por desejos externos.

A promessa do conhecimento precisa considerar o indivíduo e deve assegurar-lhe conforto e condições tecnológicas para que possa discernir sobre o conteúdo da informação e apreendê-la efetivamente. Em outros termos, sem condições de acesso não há possibilidade de acesso pleno e com qualidade. É preciso, ainda, considerar que o acesso ao conhecimento não é, necessariamente, um fim em si, nesse cenário pragmático. Nesse caso o acesso e a capacidade de utilização são meios importantíssimos, mas devem ceder o privilégio do interesse máximo à “qualidade de vida dos indivíduos e das coletividades” (Targino, 2000).

Se aceitarmos, então, que o conhecimento é, neste quadro, posterior e, de algum modo, superior à informação, a sociedade do conhecimento é posterior e superior à sociedade da informação, conforme ensina Rendon Rojas (2005). Conforme já havia destacado Barreto (2002), a ciência da informação forneceu, por meio de ênfases na administração e no necessário controle de estoques, a premissa técnica para a reflexão sobre a melhor forma de propiciar condições para a oferta de informações. A perspectiva da aquisição de conhecimento como algo posterior e complementar ao acesso à informação, contudo, já estava presente anteriormente em outro texto do mesmo Barreto (1994), para quem o processo de democratização da informação não deveria “envolver somente programas para facilitar e aumentar acesso à informação”, sendo necessário também criar cenários para que o indivíduo “tenha condições de elaborar este insumo recebido, transformando-o em conhecimento esclarecedor e libertador, em benefício próprio e da sociedade onde vive”.

Um rápido olhar sobre os textos que abordam a sociedade da informação ou sociedade do conhecimento em texto não-acadêmicos (mas também neles), reforça sempre a necessidade de reforçar a advertência para o risco de que ao se falar sobre sociedade do conhecimento isso se faça como slogan mercadológico, com seu componente ideológico implícito. Será que já escapamos dessa armadilha?

Referências

BARRETO, Aldo A. A condição da informação. São Paulo em Perspectiva, v. 16, n. 3, p. 67-74, 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392002000300010&script=sci_arttext. Acesso em 23 jul. 2014.

BARRETO, Aldo A. A questão da informação. São Paulo em Perspectiva, v. 8, n. 4, 1994. Disponível em: http://bogliolo.eci.ufmg.br/downloads/BARRETO%20A%20Questao%20da%20Informacao.pdf. Acesso em: 23 jul. 2014.

RENDON ROJAS, Miguel ÁngeL. Relación entre los conceptos: información, conocimiento y valor: semejanzas y diferencias. Ciência da Informação, v. 34, n. 2, p. 52-61, maio/ago., 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ci/v34n2/28555.pdf. Acesso em: 23 jul. 2014.

TARGINO, Maria das Graças. Quem é o profissional da informação? Transinformação, v. 12, n. 2, p. 61-69, jul./dez. 2000. Disponível em: http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/view/1531. Acesso em: 23 jul. 2014.

TAKAHASHI, Tadao (Org.). Sociedade da informação no Brasil: livro verde. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. Disponível em: http://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/434/1/Livro%20Verde.pdf. Acesso em: 23 jul. 2014.

A teoria da informação de Shannon

Shannon já foi, mais de uma vez, crucificado (pelos hipócritas, já adiantamos) por afirmar os sentidos matemáticos da informação. O problema fundamental da comunicação, afirma Shannon (1948, tradução livre), “é o de reproduzir num ponto, de forma exata ou aproximada, uma mensagem selecionada noutro ponto”. Para que se entenda a noção de mensagem nesta proposição é preciso compreender os princípios da teoria matemática da comunicação (que não cabem no post), também chamada em alguns casos de teoria da informação. Para nós, estudiosos da ciência da informação, o mais natural é que a mensagem seja eivada de significados. Por isso, pode soar estranha e passível de desentendimento a continuidade da citação de Shannon (op. cit.), quando sustenta que “frequentemente as mensagens possuem significado, isto é, referem-se ou estão relacionadas a algum sistema, a certas entidades físicas ou conceituais”.  O advérbio “frequentemente” é motivo da discórdia, pois espera-se, naturalmente, que as mensagens possuam algum significado sempre. Na continuidade, mais do que estranho, pode soar absurdo afirmar que “Estes aspectos semânticos da comunicação são irrelevantes para o problema da engenharia”.

Shannon revela-se, contudo, extremamente cauteloso na concepção de informação conforme sua reprodução em Floridi (2013, tradução livre): “À palavra ‘informação’ foram dados significados diferentes por vários escritores no campo geral da teoria da informação. É provável que pelo menos um certo número destas abordagens seja suficientemente útil em certas aplicações de modo a merecer estudos posteriores e reconhecimento permanente. É difícil imaginar que um único conceito de informação poderia explicar satisfatoriamente as numerosas possibilidades de aplicações deste campo geral”. O conceito de informação proposto pelo autor, portanto, serve aos propósitos de sua teoria, bem entendido.

Vale observar, todavia, que algumas proposições da teoria matemática da comunicação, ainda que soem inadequadas aos ouvidos desatentos da ciência da informação, sustentou experimentos importantes neste campo, como os realizados pelo Cranfield Institute of Technology, conforme relatado por Capurro (2003), para quem essa abordagem é característica do paradigma físico da informação. Foi preciso utilizar, à exaustão, as medidas de revocação e precisão em sistemas automatizados de recuperação da informação para que compreendêssemos que, do nosso ponto de vista, há mais complexidade no processo e que embora os procedimentos matemáticos sejam muito bem-vindos e auxiliem em grande parte do processo, não resolvem amplamente a faceta humana e social envolvidas na recuperação da informação. Mesmo porque grande parte dos problemas de recuperação têm origem quando nos esquecemos dos diálogos que ela deve estabelecer com a representação.

Atribuir como “erro” o fato de Shannon desconsiderar os aspectos semânticos da comunicação é, portanto, um caso típico de apropriação indevida da sua teoria, na qual as concepções de transmissor e receptor não se referiam exclusivamente aos elementos humanos.

Muitos estudiosos da ciência da informação sentem calafrios de estranhamento quando ouvem a expressão “transmissão de informação” ou “transmissão de conhecimento”. Tal estranhamento é compreensível. Ignorando-se o estatuto terminológico que a expressão “transmissão” pode assumir e tomando-se apenas suas acepções dicionarísticas, mais próximas do senso comum, é possível certificar-se de que nenhuma delas é adequada às nebulosas noções de transmissão de informação ou de conhecimento. A informação e o conhecimento, preferimos considerar, são constructos e, nessa condição, intransferíveis nos moldes da teoria em questão.

No modelo de Shannon, que passa ao largo da discussão sobre conhecimento, a transmissão de informação prescinde, portanto, da sua compreensão e liga-se apenas aos seus aspectos quantitativos. Neste caso, ensina Echeverría (2003), há comunicação bem sucedida quando a tela do televisor apresenta uma imagem clara e estável do que se passa no estúdio; não se questiona, neste caso, que sentido faz para o “televisor” a imagem recebida. Refere-se, então, à passagem de sinais através de meios físicos.

Os aspectos matemáticos da informação foram, evidentemente, mais amplamente abraçados pela ciência da computação do que pela ciência da informação. A expressão “processamento de dados”, hoje em desuso, mas amplamente utilizada nas décadas de setenta e oitenta, são reveladoras da herança shannoniana.

Referências

CAPURRO, Rafael.  Epistemologia e ciência da informação.  Tradução: Ana Maria Rezende Cabral, Eduardo Wense Dias, Isis Paim, Ligia Maria Moreira Dumont, Marta Pinheiro Aun e Mônica Erichsen Nassif Borges.  In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 5., 2003, Belo Horizonte.  Anais…  Belo Horizonte: Escola de Ciência da Informação, UFMG, 2003.

ECHEVERRÍA, Rafael.  Ontologia del lenguaje.  7.ed.  Santiago: J.C. SÁEZ, 2003.

FLORIDI, Luciano. Semantic conceptions of information. In: ZALTA, Edward N. (Ed.). The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Spring 2013 Edition).

SHANNON, Claude E.  A mathematical theory of communicationThe Bell System Technical Journal, v. 27, jul./oct., p. 379–423, 623–656, 1948.

Para saber mais

MORIN, Edgar. A física da informação. In: ______. O método: 1. A natureza da natureza. 2.ed. Mira-Sintra: Europa-América, ©1977. p. 276-289.

SHANNON, Claude E. Collected papers. New York: IEEE, 1993.

SHANNON, Claude E.; WEAVER, Warren. A teoria matemática da comunicação. 11. ed. São Paulo: DIFEL, 1975.

SIMON, Judith. Interdisciplinary knowledge creation: using wikis in science. In: BUDIN, Gerhard; SWERTZ, Christian; MITGUTSCH, Konstantin (Eds.). Knowledge organization for a global learning society: proceedings of the Ninth International ISKO Conference, 4-7 July 2006, Vienna, Austria. Wurzburg: Ergon-Verlag, 2006. p. 123-130.

 

 

 

Informação, pesquisa, internet e biblioteca

Outro dia alguém me perguntou sobre o que eu achava da utilização da internet como fonte de pesquisa. Respondi, de pronto, sem refletir muito sobre o sentido da palavra, que não utilizamos a internet como “fonte”, mas como meio, da mesma maneira como não pensamos a biblioteca como fonte. Depois disso, como ocorre frequentemente quando respondemos algo pronta e, muitas vezes, irrefletidamente, resolvi pensar melhor sobre a questão. Numa perspectiva bastante idiossincrática, sempre achei estranho pensar a biblioteca como “fonte de informação”. A ideia de fonte incomoda-me um pouco. Talvez isso ocorra pela associação imediata que faço da expressão com o conceito de “mina”, de local onde brota água e, neste sentido, a metáfora me parece inadequada.

Não é esta a questão de motiva este texto, entretanto, mas a que se seguiu na conversa, sobre as mudanças nos modelos de pesquisa em função do uso da internet como, digamos, fonte. Entendo que a mudança mais sintomática refere-se principalmente à circulação, à disponibilidade de recursos de informação, ao acesso extremamente facilitado, comparando-se com o cenário anterior ao advento do conjunto de tecnologias que resolvemos denominar, simplificadamente, internet.

As bibliotecas, ou quaisquer outros sistemas de informação documentária, possuem função inquestionável no complexo processo de produção de conhecimento. O problema é a dificuldade em construí-las, mantê-las e desenvolvê-las. Melhor, o problema é convencer a todos de que isso é possível e necessário. O problema é que ainda não encaramos politicamente as bibliotecas como elas devem ser encaradas.

Não é preciso apresentar estatísticas para que saibamos que a relação entre o número de bibliotecas públicas e/ou escolares nem mesmo se aproxima do razoável (utilizo “e/ou” na frase porque, no Brasil, as fronteiras entre os dois tipos de bibliotecas não são demarcadas com clareza, na teoria, sim, na prática, não). As estatísticas, contudo, estão por aí, a nos assombrar até mesmo em veículos de comunicação de massa (veja, por exemplo, http://youtu.be/vHoJ_slEnRM). Caso o leitor queira dados mais completos, procure pelo Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, mas prepare o espírito antes.

Diante da dificuldade atávica de construção de bibliotecas, e da igualmente perene ignorância que se lhe decorre, é necessário, sim, considerar a internet (em seu conjunto de tecnologias) como algo que altera, de modo significativo, o acesso e a circulação de informação, em, praticamente, todos os níveis.

Diante da facilidade de acesso, entretanto, impõe-se também o questionamento sobre a confiabilidade do material oferecido, sobre a qualidade da “infomação”. Alguns professores resolvem a questão de modo autoritário e peremptório, não aceitam trabalhos cujas fontes sejam extraídas da internet. Fácil, não? Inútil e risível também, como sabe qualquer pessoa que convive com adolescentes em fase escolar. A insegurança demonstrada diante de uma biografia, por exemplo, encontrada na internet atrela-se diretamente à dificuldade comum de encontrar o responsável pela informação, ou pelo menos o responsável pelo atestado de qualidade da informação fornecida. Aprendemos a confiar nos documentos impressos justamente porque quando estes nos chegam às mãos já passaram por processos de avaliação. No caso das bibliotecas, os livros e periódicos que compõem seu acervo passam pelo crivo de um bibliotecário que conhece as políticas institucionais e que dispõe de meios para avaliar a qualidade e a adequação da obra a sua comunidade usuária. O fato em si do livro ter sido publicado por uma editora já atesta, nos melhores modelos, sua avaliação e aprovação por um editor, colocando o leitor/pesquisador numa zona de conforto que praticamente deixa de existir com a internet, tomada em sentido amplo. Em princípio, qualquer pessoa pode publicar qualquer conteúdo na internet.

Exige-se, portanto, desse novo leitor/pesquisador, maior autonomia. Exige-se que ele seja capaz de avaliar as fontes eletrônicas de informação. Estamos preparados para dispensar os mediadores do processo (editores, professores, bibliotecários, críticos e outros)? Acredito que não. Estamos preparados para avaliar fontes de informação? Certamente, não. 

Determinação e precisão na recuperação da informação

O sucesso na localização de informações, depende, sabemos, da qualidade da estratégia de busca adotada. Para usar uma linguagem comum: saber pedir é essencial! Há até mesmo algumas correntes por aí, dessas que financiam a felicidade alheia, que usam o mesmo princípio, afirmando que você é do tamanho dos seus sonhos ou, em outras palavras, que se você pede pouco, ganha pouco ou, numa versão ainda mais perversa, se você oferece pouco, ganha pouco. Este não é exatamente, contudo, o tema deste post.

Interessa-nos discutir o fenômeno equivalente que ocorre nos sistemas de recuperação da informação. Nestes, o grau de imprecisão que o pesquisador manifesta (de forma consciente) em sua estratégia de busca possui relação direta com as expectativas que alimenta em relação ao resultado que pretende obter.

Quando o interesse é pontual e desejamos apenas obter alguns exemplos relacionados a determinado assunto é desnecessário preocupar-se exageradamente com a precisão dos termos de busca. Isso ocorre cotidianamente nas buscas que realizamos na web pela grafia correta (ou a mais utilizada) de determinada palavra. Não queremos, nestes casos, a “definição” da palavra, não procuramos por um dicionário neste nosso exemplo, queremos apenas verificar a palavra em uso, aplicada num determinado contexto que permita depreender seu sentido e sua aplicação. Entretanto, quando buscamos a “melhor” informação sobre determinado tema específico, sem interesse por temas semelhantes, é preciso zelar um pouco mais pelo grau de precisão e pela capacidade de determinação de sucesso dos termos escolhidos para compor a estratégia de busca. Nestes casos, sim, pedir errado significa receber errado.

O leitor pode ter a impressão de que se trata, respectivamente, de recuperação de dados (normalmente mais objetiva e determinada) e recuperação de informação (normalmente mais subjetiva e indeterminada). Trata-se, contudo, de um engano, pois as coisas não são tão simples assim. Poderia ser muito frustrante, por exemplo, uma busca por um nome específico (um dado objetivo, portanto, determinado) num catálogo telefônico em Xangai, com seus mais de vinte milhões de habitantes distribuídos em (proporcionalmente) poucos nomes de famílias, numa infinidade de homônimos (Blair, 2006). Não é preciso ir tão longe. Em busca realizada no catálogo de assinantes de uma empresa telefônica, encontramos para uma composição de <nome+sobrenome> bastante utilizada no Brasil (João da Silva), número “superior” a 45 itens, isso apenas na cidade de São Paulo. Não foi possível precisar a quantidade exata de itens porque o mecanismo de busca informa que o resultado excede o limite de visualização, que é de 45, e pede ao usuário que refine sua busca, acrescentando outros detalhes. Ainda que fiquemos nos 45, onde a determinação na busca? Imagine-se telefonando para seu amigo João da Silva com apenas 2,2% de chance de localizá-lo na primeira chamada. Imagine-se pagando por 45 telefonemas com as suaves taxas que as empresas de telefonia cobram!

Ainda assim, a recuperação de (digamos) “dados”, que dependem de combinações mais simples, costuma ser mais precisa, mais fiel às representações que foram construídas para que sua localização e recuperação fossem possíveis. Isto ocorre porque a o grau de precisão da representação também é maior, ou mais pertinente. Na maioria dos casos, o silêncio na resposta a uma questão de busca traduz a ausência do item desejado. Na busca por (digamos) “informação”, o silêncio ou mesmo a resposta inadequada, com itens que não são úteis, não significa exatamente que o item pesquisado não exista no sistema, pode significar apenas que o pesquisador e o sistema não falam a mesma língua, o que a prática tem demonstrado, aliás, ser o mais comum.

São as velhas e boas questões da sintaxe e da semântica aplicadas à representação e à recuperação da informação. O quadro abaixo, adaptado de Blair (2006), sistematiza o tema.

Busca por dados determinados

Busca por conteúdo indeterminado

1. Direta (“Eu quero saber X”)

1. Indireta (“Eu quero saber sobre X”)

2. Relação necessária entre a expressão de busca e a representação da resposta satisfatória

2. Relação probabilística entre a expressão de busca e a representação da resposta satisfatória

3. Critério de sucesso = CORREÇÃO

3. Critério de sucesso = UTILIDADE

4. Velocidade dependente do tempo do acesso físico

4. Velocidade dependente do número de decisões lógicas que o buscador precisa tomar no curso da busca

5. Representação finita da informação

5. Formas infinitas de representar a informação

6. Um resultado negativo para a busca normalmente significa que o dado desejado não está na base de dados

6. Um resultado negativo para a busca não significa, necessariamente, que não existem documentos úteis no sistema

Havendo fôlego, retomaremos a questão mais tarde.

Referências

BLAIR, David. Wittgenstein, language and information: back to the rough ground! Dordrecht: Springer, 2006.

 

Descrição e discriminação

Os sistemas de informação têm cumprido com relativo sucesso seu projeto histórico de auxiliar o usuário a localizar e recuperar a informação de que precisa, mas isso não é mais (há algum tempo) suficiente. Considerando-se a quantidade e a complexidade crescente da massa documental e as facilidades promovidas pelos eficientes mecanismos de busca, o que o usuário contemporâneo espera de um sistema de informação é que este possa auxiliá-lo na tarefa de identificar e separar o que exatamente ele não quer.

As informações documentárias que construímos servem, neste sentido, a duas finalidades fundamentais: descrição e discriminação (Blair, 2006). O conceito de descrição neste contexto não é tomado exatamente naquele sentido dicotômico que lhe foi atribuído quando criávamos disciplinas com nomes pomposos como “Controle Bibliográfico dos Registros do Conhecimento (CBReC)”, que líamos, ironicamente, “Cebreque”, cujo conteúdo era diferenciado pelo que lhe vinha posposto: “Representação Descritiva”, num caso e “Representação temática”, em outro.  A descrição refere-se, portanto, aos aspectos extrínsecos ou formais do documento, mas também ao seu conteúdo intelectual, naquele sentido em que é tomada como uma das fases do processo de análise documentária.

Uma vez identificado e descrito este conteúdo, importa identificar e descrever documentos com conteúdos similares e, por este meio, organizá-los, com o fim de favorecer o processo de discriminação que o usuário irá realizar em suas buscas.

Embora tenhamos desenvolvido tecnologias e metodologias suficientemente adequadas e confiáveis para os processos de descrição, a discriminação ainda nos escapa pelo que envolve de componentes cognitivos individuais (de todos os envolvidos no sistema) e coletivos, principalmente no que se refere ao julgamento de qualidade. Evidentemente que nem todo o processo é dependente apenas do usuário, há variáveis que podem ser mapeadas e manipuladas adequadamente, como as que os estudos de perfis de usuários e de comunidades identificam.

Tendo-se em mente os princípios de objetividade e de concisão na construção de informações documentárias e as medidas clássicas utilizadas para avaliação de sistemas de informação, podemos afirmar que a descrição favorece os processos de revocação (mas nunca exclusivamente), posto que permite ao usuário identificar todas as informações úteis. A discriminação, por sua vez, facilita os processos de precisão, uma vez que é por meio dela que o usuário irá identificar e selecionar apenas as informações que considerada pertinentes a sua necessidade informacional.

Referências

BLAIR, David.  Wittgenstein, language and information: back to the rough ground! Dordrecht: Springer, 2006.

 

Uma pequena e seletiva bibliografia sobre mercado de trabalho e educação continuada do bibliotecário

2011

DINIZ, Edileuda S.; PENA, André; GONÇALVES, Leandro D.  O perfil do profissional da informação demandado por uma empresa do ramo jornalístico: um estudo de casoRevista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 16, n. 1, p. 289-307, jan./jun., 2011.

Trata-se de uma pesquisa do tipo descritiva que buscou conhecer o perfil do profissional da informação demandado pelo mercado de trabalho no município de Rondonópolis-MT. Mais especificamente procurou examinar o que pensavam os empregadores de uma dada empresa para contratarem profissionais para atuarem na área da informação. O Jornal “A Tribuna” desse município citado, foi escolhido como objeto de estudo. A amostra, por sua vez, foi composta pelos quatro diretores administrativos desse Jornal. A técnica utilizada foi a entrevista semi-estruturada, cujo roteiro foi elaborado com seis questões norteadoras para a obtenção dos depoimentos. A análise e discussão dos dados foram produzidas a partir das transcrições das entrevistas dos sujeitos da pesquisa. Os resultados obtidos apontaram para a necessidade do profissional da informação apresentar-se como um indivíduo pró-ativo e que saiba agir com ética no ambiente de trabalho. Por fim, chegou-se a conclusão de que existe espaço para o profissional da informação atuar em empresas do porte do Jornal pesquisado, desde que ele possua essas características citadas e que invista na educação continuada.

2010

DUARTE, Elizabeth A.; BRAGA, Rogério Manoel O.  O profissional bibliotecário e o domínio da língua inglesa.  Encontros Bibli, Florianópolis, v. 15, n. 30, p.105-122, 2010.

Apresenta uma pesquisa realizada no Brasil, cujo objetivo foi relatar a importância do domínio da língua inglesa pelos profissionais bibliotecários no mercado de trabalho atual. Primeiramente, foi realizada uma análise da atual conjuntura econômica e mercadológica, cujas características principais são as novas exigências interpostas pelo mercado de trabalho oriundas do advento das novas tecnologias e pela necessidade do uso do inglês como idioma preponderante no mundo globalizado. Foi feito um levantamento de dados sobre o perfil do profissional bibliotecário, a legislação que regulamenta esta profissão, suas atribuições, o mercado de trabalho deste profissional e uma pesquisa em cinco classificados virtuais – sites brasileiros de divulgação de vagas nas diversas categorias profissionais. Os sites pesquisados foram: “Catho.com.br”, “Empregos.com.br”, “Vagas.com.br”, “Manager.com.br” e o “InfoJobs.com.br”. O período de análise foi o do mês de janeiro a abril de 2009 e foram encontradas e analisadas um número total de 13 vagas (de acordo com os requisitos da metodologia). Os resultados encontrados respondem a tese de que o domínio/conhecimento da língua inglesa é uma forte vantagem para o profissional bibliotecário na obtenção de melhores qualificações, sobretudo salariais, em termos do mercado de trabalho brasileiro, sobretudo na região sudeste do país.

FERREIRA, Mary; BORGES, Elinielle P.; BORGES, Luís Cláudio.  Mercado de trabalho e a desigualdade de gênero na profissão da/o bibliotecária/o.  In: ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, GESTÃO, E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 2010, João Pessoa.  Anais… João Pessoa: UFPB, 2010.

Discorre sobre as relações de gênero no campo da Biblioteconomia no Maranhão refletindo sobre as desigualdades nessa profissão. Aprofunda o debate sobre as questões de gênero no campo da Biblioteconomia, situando o/a profissional da informação no mundo do trabalho. Utiliza a pesquisa qualitativa e quantitativa para investigar as percepções dos sujeitos sobre as diferenças de gênero bem como estas são constituídas. Ressalta que são poucos os estudos que envolvem a temática Gênero e Biblioteconomia, sendo que os mesmos nos fazem pensar as realidades e os contextos em que essa área foi construída. Discute a concepção do gênero como categoria analítica das Ciências Sociais, construída mediante aos processos históricos e sociais para pensar as relações de poder instituídas social e culturalmente que marcam diferenças e práticas no mundo social. Ressalta que as características atribuídas às mulheres e aos homens são decorrentes dos processos de normalização dos comportamentos, devido à força das estruturas sócio-culturais que as produzem. Mostra que, ao transpor essa reflexão para o atual contexto da Biblioteconomia buscamos compreender que as realidades e as conjunturas do mundo do trabalho neste campo, que refletem relações de gênero, edificadas no modelo patriarcal, que dificulta as mulheres serem reconhecidas como sujeito.

PAIXÃO, Lígia S.; PIMENTEL, Edna; BOTERO, Marcelo R.  O mercado de trabalho em Biblioteconomia nos países do mercosul: estudo comparativo.  In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE INFORMACIÓN, 2010, Havana.  Anais… Havana: IDICT, 2010.

1º § à No Brasil, a atividade profissional do Bibliotecário foi incluída, em 1958 no Plano da Confederação Nacional das Profissões Liberais, 19. grupo (Portaria de 7 de outubro de 1958, do Ministério do Trabalho, publicada no DOU, de 11 de outubro de 1958, pag. 22086). Em 30 de junho de 1962, o Congresso Nacional decretou e o Presidente da República sancionou a Lei 4084 que dispõe sobre a profissão do Bibliotecário e regula o seu exercício (DOU de 02 de julho de 1962) Essa lei foi regulamentada pelo decreto n.56725 de 16 de agosto de 1965 (DOU de 19 de agosto de 1965).

2009

CUNHA, Miriam V. O profissional da informação e o sistema de profissões: um olhar sobre competências.  PontodeAcesso, Salvador, v. 3, n. 2, p. 94-108, ago. 2009.

Reflexão sobre as características e a evolução do sistema das profissões no ambiente de mudanças característico da Sociedade da Informação, a partir das ideias de alguns teóricos da Sociologia das Profissões. Enfatiza a importância das profissões e especialmente, o desenvolvimento e a diversificação dos profissionais da informação, suas competências e seus espaços no mundo do trabalho, chamando a atenção para a necessidade de diálogo e de trabalho em comum com profissões próximas. Salienta ainda a necessidade de repensar a formação em Biblioteconomia.

2008

MATTOS, Fernando Augusto M.; SOULÉ JÚNIOR, Oswaldo.  A influência das crises econômicas das décadas de 80 e 90, no Brasil, no mercado de trabalho dos profissionais ligados às tecnologias da informação.  Informação & Sociedade, João Pessoa, v. 18, n. 2, p. 13-24, maio/ago. 2008.

Analisa a conjuntura do mercado de trabalho brasileiro nas crises econômicas das décadas de 1980 e 1990, para avaliar de que maneira os profissionais da informação, em especial aqueles ligados às tecnologias da informação, foram afetados por essas crises, bem como fazer uma previsão das perspectivas profissionais dessa categoria. O artigo conclui que nem mesmo os profissionais da informação, cujo rendimento médio é superior à média dos rendimentos dos trabalhadores brasileiros em geral, ficaram imunes aos impactos que a desaceleração econômica das duas últimas décadas teve no mercado de trabalho brasileiro. No entanto, caso a economia brasileira retome um ritmo de crescimento sustentado e caso sejam elaboradas políticas públicas que ampliem o acesso da população às Tecnologias da Informação, é de se esperar uma melhoria da inserção dos profissionais da informação no mercado de trabalho brasileiro.

2007

LIMA, Suely P. S.; SILVA, Alzira K. A.  O bibliotecário e o marketing pessoal na biblioteca do UNIPÊ: instrumento de promoção profissional no mercado de trabalho.  Biblionline, João Pessoa, v. 3, n. 1, 2007.

O marketing pessoal vem conquistando espaço na área de Biblioteconomia e na atuação dos profissionais bibliotecários, contribuindo para o crescimento pessoal e profissional no mercado de trabalho. Assim, questiona-se como o bibliotecário tem utilizado o marketing pessoal para se promover na sua carreira e quais as estratégias que fortalece o seu desempenho no mundo do trabalho competitivo. Objetiva-se analisar a utilização do marketing pessoal pelo bibliotecário atuante no UNIPÊ, (re)conhecendo-o como instrumento de promoção profissional no mercado de trabalho. Metodologicamente, adota-se o questionário para a coleta de dados que tem como foco os profissionais da biblioteca do UNIPÊ, sendo quatro bibliotecárias e uma gestora. Obtém-se como resultados o perfil dos bibliotecários cuja formação acadêmica, nível graduação, realizou-se na UFPB, com especialistas e mestres. Com relação ao marketing pessoal percebe-se, na opinião das bibliotecárias o uso de estratégias de autopromoção, ou seja, o marketing pessoal e que, para permanecerem no mercado procuram satisfazer as necessidades dos usuários e investir na sua formação profissional e pessoal. As estratégias mais utilizadas são de contato com profissionais da área, promoção da satisfação dos usuários, comunicação e construção de redes de relacionamentos. Conclui-se que há ações satisfatórias quanto ao produto, praça e promoção e insatisfação quanto ao preço. O uso do marketing pessoal para a eficiência desses elementos, possibilitará aos bibliotecários ferramentas para sua entrada e permanência no mercado de trabalho e, conseqüente valorização do profissional e da profissão. Contudo, deve partir de uma ação planejada e de um plano de marketing pessoal.

LOUREIRO, Mônica de Fátima; JANUZZI, Paulo M.  Profissional da informação, análise da inserção no mercado de trabalho brasileiro. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 12, n. 2, p. 23-48, maio/ago., 2007.

Procurando contribuir para a discussão acerca da inserção do profissional da informação no mercado de trabalho no Brasil, discussão essa muito marcada por estudos de natureza ensaística, estudos de caso particulares e pesquisas empíricas de pequeno alcance e representatividade, o presente estudo tem como objetivo trazer evidências empíricas mais gerais e atuais a respeito da inserção destes profissionais no mercado de trabalho, na forma permitida pelo Censo Demográfico 2000. Mais especificamente, a pesquisa tem como objetivo o dimensionamento e caracterização do contingente de profissionais em atividades de informação que atuavam no mercado de trabalho brasileiro no ano 2000, segundo as categorias da Classificação Brasileira de Ocupações, a saber: profissionais da informação; arquivistas e museólogos; técnicos em biblioteconomia; técnicos em museologia e afins; auxiliares de serviços de documentação, informação e pesquisa. Apresenta-se o contingente de profissionais no país e; então, mostra-se a distribuição desses profissionais nas diversas regiões. Aborda-se ainda uma caracterização de cada grupo ocupacional, através de indicadores de escolaridade, posição na ocupação e o rendimento médio. Mostra-se que o contingente de profissionais do grupo é de 0,1%, em relação ao total da população ocupada no país, com concentração maior nos estados do Sul e Sudeste. Dentre as categorias analisadas os Profissionais da Informação apresentam melhor inserção ocupacional e rendimentos, ainda que em relação aos demais profissionais das Ciências e Artes a situação não seja das mais virtuosas, ao contrário do que poderia intuir pela bibliografia na área.

MORENO, Edinei A. et al.  A formação continuada dos profissionais bibliotecários: análise do conteúdo dos sites das entidades de classe.   Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 12, n. 1, p. 43-58, jan./jun., 2007.

Trata da importância na formação contínua dos profissionais bibliotecários no Brasil. Identifica as entidades de classe brasileiras ligadas à Biblioteconomia, as categorias da educação continuada manifestadas e a forma em que o tema está sendo divulgado. Considera como educação continuada os cursos de especialização, participação em eventos e cursos de curta duração. Analisa o conteúdo documental dos sites das entidades, investigando as ações relacionadas ao incentivo da educação continuada. Conclui que a formação continuada do profissional bibliotecário é incentivada e divulgada pelas entidades da categoria.

SILVA, Neusa C.; DIB, Simone F.; MOREIRA, Maria José.  Panorama do mercado de trabalho em instituições públicas: o profissional bibliotecário em questão.  Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 3, n. 2, p.67-79, jul-dez. 2007.

Discorre sobre o mercado de trabalho para profissionais bibliotecários, enfocando relatos de pesquisas no Rio de Janeiro e em outros estados do Brasil. Apresenta as instituições públicas federais e seus requisitos de seleção, especificamente os concursos públicos realizados no Rio de Janeiro, como forma de ingresso no mercado de trabalho. Analisa alguns aspectos desses concursos, ocorridos em 2006, como a oferta e a demanda, a remuneração oferecida, o conteúdo intelectual exigido, dentre outros. O estudo teve por base os editais, as provas e as informações dos sites das instituições que os organizam.

2006

AZEVEDO, Liliane J.; GOMES, Suely.  O mercado de trabalho para os profissionais da informação no contexto de empresas brasileiras das regiões geográficas norte, nordeste e centro-oeste.  Informação & Sociedade, João Pessoa, v. 16, n. 1, p. 231-241, jan./jun. 2006.

Este artigo identifica a demanda por profissionais da informação, no contexto das empresas brasileiras, tomando como referência as regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste do Brasil. É uma pesquisa de natureza documental e exploratória. A população foi constituída por anúncios de empregos veiculados via online em site de recrutamentos de recursos humanos. A análise dos dados aponta quem são esses profissionais da informação, as habilidades e pré-requisitos demandados pelo mercado. As principais conclusões revelam que as empresas ainda recrutam esses profissionais dentro de uma perspectiva tradicionalista e que as potencialidades e contribuições de alguns dos profissionais da informação para a competitividade nem sempre são reconhecidas pelo mercado de trabalho.

CUNHA, Miriam V.  Espacios de trabajo para profesionales de La información en Brasil: resultados preliminares.  Scire, v. 12, n. 2, p. 27-36, jul./dic. 2006.

El mundo actual puede comprenderse a través de sus múltiples facetas culturales, políticas, económicas y sociales. Los cambios en la sociedad del conocimiento están llevando a los profesionales de la información a redefinir sus roles en los espacios tradicionales de actuación. Estos nuevos aspectos del trabajo crean nuevas relaciones entre las profesiones y posibilitan, en algunos casos, la ruptura de lãs fronteras entre ellas. La explosión de la comunicación a través de Internet y la adición del valor de la información como recurso estratégico llevan cada vez a más personas a trabajar con fuentes de información. Este movimiento crea tensiones y nuevas oportunidades de alianzas en este espacio. La combinación de estos movimientos, tensiones y alianzas forma un campo de competencia nuevo o, mejor dicho, una nueva jurisdicción profesional (Abbott, 1988). Las listas de discusión de ciencias de la información y sitios específicos divulgan en Brasil, desde el año 2000, ofertas de trabajo para profesionales de la información. El objetivo de este estudio es conocer y caracterizar las ofertas de empleo para profesionales de la información disponibles en Internet entre 2005 y 2006. Utiliza la técnica de análisis de contenido de Bardin (2004) y tiene como criterios de análisis la fecha Del anuncio, la fuente de información, el tipo de profesional, la ciudad y la formación y función solicitadas. Los primeros resultados evidencian que la mayoría de lãs ofertas son para bibliotecarios y archiveros y se concentran en las grandes ciudades brasileñas, como Río de Janeiro y São Paulo.

DUTRA, Tatiana N. A.; CARVALHO, Andrea V.  O profissional da informação e as habilidades exigidas pelo mercado de trabalho emergente.  Encontros Bibli, Florianópolis, n. 22, jul./dez. 2006.

Diante de um novo perfil do emprego e do mercado de trabalho – que se transforma marcadamente em face das tecnologias de informação e comunicação (TIC) há uma demanda por profissionais munidos de novas habilidades e competências. Assim, objetiva-se, de modo geral, analisar as novas habilidades demandadas pelo mercado de trabalho atual para o profissional da informação. Para tanto, busca-se especificamente, caracterizar os fatores determinantes do contexto atual; verificar o impacto das TIC no mercado de trabalho do profissional da informação; e conhecer as transformações ocorridas no perfil deste profissional frente a estas mudanças. Para alcançar os objetivos propostos recorreu-se à pesquisa bibliográfica, bem como à análise de anúncios de empregos divulgados no website Catho On-line. A análise dos dados se deu de forma comparativa entre os anos de 2003 e 2005 e, permitiu concluir que as habilidades exigidas para o profissional da informação na atualidade dizem respeito, além dos conhecimentos técnicos, a fluência em idioma estrangeiro, ao domínio da informática, aos conhecimentos gerencias e, principalmente, às habilidades interpessoais.

LUCENA, Gertha Maria C.; SILVA, Alzira Karla A.  Expansão do mercado de trabalho para o bibliotecário: um caso para o marketing.  Biblionline, v. 2, n. 1, 2006.

Objetiva identificar a visão do mercado sobre o bibliotecário, no âmbito das organizações financeiras (bancos) da cidade de João Pessoa/PB, como também a opinião de professores e formandos do curso de Biblioteconomia, quanto a atuação desse profissional e a necessidade de divulgação neste mercado. Teoricamente, discute o conceito de unidades de informação, ressaltando que uma organização financeira, por exemplo, pode ser considerada como tal; destaca aspectos da atuação do profissional bibliotecário em organizações com e sem fins lucrativos; apresenta o marketing como ferramenta para a projeção no mercado ainda não explorado. O campo de pesquisa são os bancos Bradesco, Rural, Unibanco, HSBC e Itaú, os sujeitos são os gestores desses bancos, os professores do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal da Paraíba e os formandos do período 2003.2, sendo aplicado três questionários distintos. A análise e interpretação dos resultados constatam, dentre outros aspectos, que o mercado (bancos) tem um conhecimento muito restrito do bibliotecário e que professores e formandos têm ciência desse desconhecimento. Identifica que urge a necessidade de se realizar uma divulgação junto aos mercados ainda não explorados. Conclui que é necessário enfocar o marketing, especificamente o marketing pessoal, para que o bibliotecário amplie seu espaço no mercado de trabalho, passando a ser reconhecido como um profissional da informação e não como um profissional da biblioteca.

MIRANDA, Ana Cláudia C.; SOLINO, Antonia S.  Educação continuada e mercado de trabalho: um estudo sobre os bibliotecários do Estado do Rio Grande do NortePerspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 11, n. 3, p. 383-397, set./dez., 2006.

Apresentar a importância e necessidade da educação continuada para os profissionais bibliotecários que atuam no Estado do Rio Grande do Norte. Entende-se que a análise dessa temática neste momento de aceleradas mudanças frente aos avanços das novas tecnologias é essencial para o redirecionamento e posicionamento desses profissionais no mercado de trabalho. Os resultados da pesquisa evidenciaram que os profissionais reconhecem a importância da educação continuada como um instrumento de aperfeiçoamento e atualização, capaz de auxiliá-los na aquisição de um conjunto de habilidades, atitudes e comportamentos necessários ao desempenho eficiente de sua prática profissional.

RUBI, Milena P.; EUCLIDES, Maria Luzinete; SANTOS, Juliana C.  Profissional da informação, atuação profissional e marketing para o mercado de trabalho.  Informação & Sociedade, João Pessoa, v. 16, n. 1, p.79-89, jan./jun. 2006.

O tripé informação, tecnologia e globalização e as mudanças no mercado de trabalho exigem dos profissionais da informação novas funções sociais e perfis profissionais. Nosso objetivo é destacar, a partir da literatura, aspectos importantes relacionados ao perfil do bibliotecário, referentes à formação acadêmica e continuada, à atuação profissional, ao mercado de trabalho e ao marketing profissional e pessoal. Consideramos que todos esses aspectos servirão para caracterizar esse profissional da informação que necessita estar apto a atuar em consonância com as atuais exigências da nossa sociedade.

2005

FONSECA, Fábio José L.; FONSECA, Fernanda Maria L.; FONSECA, Nádia L.  Ruptura de paradigmas biblioteconômicos, autoformação e mercado de trabalho: estudo de caso.  ACB,  v .10, n. 2, p. 207-223, jan./dez., 2005.

Relaciona a atuação e inserção do bibliotecário brasileiro no mercado de trabalho aos paradigmas biblioteconômicos ainda vigentes: foco no acervo, informação vista apenas como bem social e predominância do ambiente de trabalho biblioteca. Discute alguns paradoxos profissionais relacionando-os aos paradigmas e às competências e habilidades requeridas nas organizações. Demonstra que o rompimento de tais paradigmas contribuirá para ampliar a visão e as oportunidades de trabalho, da mesma forma que os princípios do empreendedorismo e da inovação, quando aplicados à autoformação, prática esta sugerida para fazer face aos desafios profissionais, na atualidade. Conclui apresentando estudos de casos representativos das teses defendidas.

2003

FERREIRA, Danielle T.  Profissional da informação: perfil de habilidades demandadas pelo mercado de trabalho.  Ciência da Informação, v. 32, n. 1, p. 42-49, jan./abr. 2003.

Doze empresas de consultoria em recrutamento e seleção de recursos humanos foram estudadas para obter informações acerca da demanda atual do mercado de trabalho. Foram levantadas e analisadas as literaturas sobre o mercado de trabalho, as qualificações profissionais requeridas pelo mercado e as informações obtidas em depoimentos de empregadores. O estudo trouxe quatro conclusões principais: (1) os profissionais devem desenvolver continuamente suas habilidades técnicas típicas de ciência da informação, bem como suas atitudes comportamentais; (2) as potencialidades desses profissionais nem sempre são reconhecidas pelo mercado de trabalho; (3) como conseqüência, não é comum encontrar profissionais da informação ocupando posições superiores como analistas ou gerentes; (4) as causas principais das deficiências são tanto a falta de desenvolvimento dessas habilidades durante o período de formação, quanto a falta de reconhecimento do perfil dos profissionais da informação pelo mercado e da auto-imagem por eles mesmos.

NASCIMENTO, Anízia Maria C.; FIGUEIREDO, Etienny Kelen P.; FREITAS, Georgete L. Redimensionamento do profissional da informação no mercado de trabalho.  Infociência, São Luís, v. 3, p. 31-43, 2003.

Mercado de trabalho do profissional da informação. Destacam- se as mudanças e exigências da sociedade. Identificam- se os cenários de trabalho, visando-se o delineamento do perfil profissional bibliotecário mediante perspectivas educacionais.

2002

ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco.  Formação, formatação: profissionais da informação produzidos em série.   In: VALENTIM, Marta Lígia (Org.).  Formação do profissional da informação.  São Paulo: Polis, 2002. p. 133-148.

1º § à Vivemos hoje uma crise das profissões. Tal crise não se relaciona exclusivamente com a reclusão do mercado de trabalho, uma vez que essa situação já se consolidou de há muito. Ela é mais profunda e se aproxima das demandas básicas de um mundo globalizado.

BIANCARDI, Alzinete Maria R. et al.  O cenário do mercado de trabalho em biblioteconomia na percepção dos empresários capixabas.  Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 7, n. 2, p. 167-178, jul./dez. 2002.

Apresenta o cenário do mercado de trabalho em biblioteconomia na percepção dos empresários capixabas. Aponta a atual situação de empregabilidade do bibliotecário nesse mercado, sugerindo estratégias para promover maior integração do empresariado com a biblioteconomia e para viabilizar mudanças da imagem do bibliotecário junto ao segmento empresarial.

VALENTIM, Marta Lígia P.  Formação: competências e habilidades do profissional da informação.  In: VALENTIM, Marta Lígia (Org.).  Formação do profissional da informação.  São Paulo: Polis, 2002.

1º § à Para abordar a formação profissional sob o paradigma da Ciência  da Informação, primeiramente, é necessário entender o campo de estudo da área “que abarca todos os fenômenos ligados a produção, organização, difusão e utilização de informações”. É necessário, além disso, compreender o seu objeto “a informação registrada, acatadas as respectivas formas de vê-la, processá-Ia e utilizá-Ia, consoante diferentes tradições e marcos teóricos e, como disciplinas instituidoras de ambientes ele mediação entre acervos (‘estoques’ informacionais) e necessidades do usuário” (Diretrizes, 2001).

2001

CRISPIM, Adriana C.; JAGIELSKI, Shyrlei Karyna.  Consultoria e o profissional da informação: um campo em expansão.  ACB, v. 6, n. 1, p. 146-156, 2001.

É uma análise do atual mercado de trabalho para o profissional da área de informação, baseado em experiências pessoais de consultoria e empregabilidade e sustentado pela literatura existente na área. Expõe as novas necessidades e exigências desse mercado, apontando como conseqüência a mudança do perfil das pessoas que trabalham na área de informação especificamente do consultor no tratamento da informação. Tenta mostrar o que as empresas, em geral, exigem deste novo profissional e as características que deve ter para sobreviver e ter atitudes pró-ativas, buscando o seu aperfeiçoamento contínuo. Procura nortear os profissionais que estão ingressando na área de consultoria em unidades de informação, sobretudo recém formados, com relação a forma de cobrança e alguns passos para a venda do seu produto, mostra que por mais difícil que possa parecer, há um espaço grande e importante que deve ser ocupado pelo profissional da informação, e tomar evidente a sua capacidade para desenvolver um trabalho de qualidade e de grande interesse, principalmente empresarial. Considerou-·se unidade de informação como sendo arquivos, bibliotecas e centros de documentação empresariais. E como profissional da informação os arquivistas, bibliotecários e documentalistas.

2000

BANDEIRA, Gabrielle P.; OHIRA, Maria Lourdes B.  Quem é o bibliotecário em exercício no Estado de Santa Catarina: mercado de trabalho. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 19., 2000, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: UFRGS, 2000.

Conhecer o mercado de trabalho do bibliotecário em exercício no estado de Santa Catarina e o perfil do profissional atuante neste mercado, foram objetivos da presente pesquisa. A forma de ingresso no mercado de trabalho deu-se principalmente através do concurso público e o governo do estadual é o maior empregador. O fato que mais influenciou na escolha do curso foi o conhecimento prévio e a admiração pela profissão. Identificou-se quais os conhecimentos, habilidades e atitudes que deve possuir o profissional da informação.

BAPTISTA, Sofia G.; LIMA, Arian M.; ROSÁRIO, Marmenha Maria R.  Investigação sobre o mercado de trabalho para o bibliotecário na internet: relato de pesquisa em andamentoRevista de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, v. 23/24, n. 2, p. 209-220,1999/2000.

Trata-se de um relato de pesquisa em andamento sobre mercado de trabalho na Internet. Mostra resultados preliminares obtidos sobre as atividades dos bibliotecários que foram coletados por meio de entrevistas com os profissionais formados pela Universidade de Brasília no período de 1995 a 2000 e por meio da observação de sites de biblioteca de Brasília, DF.

CUNHA, Miriam V.  O profissional da informação e o mercado de trabalho.  Informação & Sociedade, João Pessoa, v. 10, n. 1, p. 159-167, 2000.

1º § à Estamos vivendo um momento de grandes mudanças. Mudanças tecnológicas, econômicas e sociais que alteram nossa capacidade de pensar, de agir, de nos comunicarmos. O objetivo deste trabalho é refletir sobre o significado destas mudanças para o profissional da informação e levantar algumas questões. Este questionamento se originou da pesquisa que realizamos sobre o perfil do profissional da informação no mercado de trabalho brasileiro e francês (Cunha, 1998).

VALENTIM, Marta Lígia P.  O moderno profissional da informação: formação e perspectiva profissional.  Encontros Bibli, n. 9, p. 16-28, 2000.

O profissional da informação, neste caso o bibliotecário, precisa mudar seus paradigmas. A sociedade da informação vem se consolidando no Brasil e exige um profissional com características, capacidades e habilidades modernas, no que diz respeito a sua atuação no mercado de trabalho. As perspectivas sócio-econômicas neste final de século em relação ao bibliotecário, são no mínimo interessantes, uma vez que a informação é insumo de trabalho de vários profissionais, bem como tem contribuído para o desenvolvimento das organizações e das nações.

 

Ontologias e terminologia: levantamento bibliográfico

Enquanto realizava a costumeira limpeza no computador ou, para usar uma linguagem mais elaborada, enquanto exercia uma política de desbastamento da minha coleção particular de recursos digitais, rs, encontrei algo que, imaginei, poderia interessar a outros estudiosos sobre o tema das ontologias e da terminologia, compreendidas stricto sensu no domínio da ciência da informação. Passo, então, a compartilhá-lo.

Trata-se de um levantamento sobre artigos de periódicos da grande área da ciência da informação que abordassem, com algum grau de aprofundamento, as questões relacionadas às ontologias e à terminologia, consideradas individualmente, ou, caso mais raro e que mais me interessava na ocasião, aqueles que as relacionassem entre si. A pesquisa bibliográfica tinha como motivo colher elementos para minha pesquisa de doutoramento e foi realizada por meio da LISA, incluindo periódicos em variados idiomas que estivesem compreendidos no período que vai de 2004 a 2008. Claro está, portanto, que desatualizou-se, mas espero que ainda seja útil a algum interessado e, por que não, que alguém possa atualizá-la.

Cada item apresenta elementos para a referência completa, embora não estejam normatizados, e inclui resumo e palavras-chave. Clique para visualizá-la.

Como separar páginas numeradas e não numeradas no Word

Separando páginas numeradas e não numeradas no Word 2007
Prof. Walter Moreira – Unesp/FFC/DCI – walter.moreira@marilia.unesp.br

Para que a numeração apareça apenas na parte textual do TCC (ou seja, a partir da Introdução) é preciso usar um recurso chamado “Quebra de seção”. Este recurso possibilita a divisão do documento em partes (seções), como se existisse mais de um arquivo dentro do mesmo documento.
Passo-a-passo
1. Abra o documento e clique no final da última linha que contém o Sumário.

2. Na aba Início, clique em Mostrar tudo, localizado no canto superior direito do bloco Parágrafo (Figura 1)

Figura 1 – Mostrar tudo

3. Na aba Layout da Página, clique em Quebras e, dentro de Quebra de Seção, clique em Próxima Página (Figura 2).

Figura 2 – Quebras

4. Após este processo, o final de sua página deve ficar como na Figura 3.

Figura 3 – Quebra de seção (próxima página)

5. Dê um clique duplo no cabeçalho da página seguinte à que contém a Quebra de Seção, no nosso caso, a página de Introdução. Observe as informações Cabeçalho-Seção2-, à esquerda, e Mesmo que seção anterior, à direita. Observe também que aparece acionada aba Design, com a função Vincular ao Anterior ativada (Figura 4).

Figura 4 – Cabeçalho de seção

6. O “segredo” está exatamente nesta opção. Em nosso caso queremos cabeçalhos diferentes nas duas seções, isto é, queremos número de página apenas na seção 2 (desvinculada da seção 1), por isso é preciso desabilitar a função Vincular ao Anterior.

7. Agora podemos inserir o número de página. Para isso clique na aba Inserir, selecione a opção Número de página, depois em Início da página e, se preferir, Números sem formatação (Figura 5).

Figura 5 – Inserir número de página

Pronto!

Um olhar para a rede

Ainda somos carentes de bons pensadores sobre o universo das redes. Concorda? É inegável que há uma produção relativamente grande de artigos de periódicos e reflexões mais ou menos profundas, bem ou mal fundamentadas, veiculadas nos diversos blogs e outros equivalentes que se dedicam a estas e outras questões paralelas. O interesse que o tema desperta é compreensível, pois, de certo modo, a tentativa de compreender esta “era das redes” é, na verdade, uma tentativa de autocompreensão; uma velho hábito de compreender-se compreendendo o meio.

O problema encontrado em grande número dos textos, contudo, é a falta de profundidade no que tange aos aspectos filosóficos e sociológicos da questão. Não é todos dia que aparecem reflexões sobre a rede como as que produz Castells ou Benkler, por exemplo, ou como as que realiza Aldo Barreto no interior da Ciência da Informação.

Encontrar bons livros gratuitos sobre o tema então é quase uma fantasia. Por estes motivos resolvi chamar a atenção para o livro Olhares da rede, resultado dos debates realizados pelo Grupo de Pesquisa de Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede (Tecred), da Faculdade Cásper Líbero. Os debates foram realizados com base nos textos de cinco autores que pensam as redes digitais e a cibercultura: Yochai Benkler, Manuel Castells, Henry Jenkins, Lawrence Lessig e Douglas Rushkoff.

Transcrevo abaixo o sumário da obra para facilitar sua consulta e aguçar sua curiosidade:

  • Benkler: as redes e a nova “mão invisível” – O papel da tecnologia; As mudanças na economia; A questão da esfera pública; Diferenças fundamentais; Capacidade de reação da esfera pública interconectada; Críticas ao afeito democratizante da Internet.
  • Douglas Rushkoff: nos meandros do caos – A pós-modernidade e o caos; Screenagers; Rushkoff vs McLuhan
  • Lessig: a regulamentação da cultura - A regulação das múltiplas possibilidades; Eldred; Uso-justo; Precaução Regulamentação: quatro tipos de coerção; Empresas de entretenimento: os “legais” de hoje são os piratas de ontem; Creative Commons e a luta por uma cultura livre; Futuro sombrio ou liberdade de dádiva?
  • Castells: a era do informacionalismo - Do capitalismo ao informacionalismo; Da informação de massa ao surgimento de redes interativas; O espaço de fluxos e o tempo intemporal da sociedade em rede; Considerações finais: a sociedade em rede.
  • Jenkins: a cultura da participação - A lógica cultural da convergência de Mídia; O conceito de Affective Economics; O conceito de Transmedia Storytelling; Cultura participativa.

Boa leitura!