Volto aqui a um assunto que já abordei em outra ocasião, num texto bem curto e igualmente despretensioso: o livro eletrônico. Consumista (corrigível, diga-se de passagem) que sou, tenho sonhado com um leitor digital. Devo parecer herético para muita gente. Sei que algumas pessoas não gostam da ideia e consideram absurda a mera suposição; mas o argumento básico dos que não aprovam o inocente equipamento é orientado, basicamente, pelo (rompimento do) princípio do prazer inerente à leitura e fazem, dessa forma, ressoar a boa e velha querela a respeito da sobreposição de tecnologias, que está aí, desde que o mundo é mundo. Não pretendo convencer ninguém de nada aqui (o que, aliás, seria completa ingenuidade), mas apenas expressar o que penso sobre o assunto.
Evidentemente, não se pode comparar os dois tipos de suporte, pelo menos não agora, com a qualidade dos livros e equipamentos de leitura de que dispomos. A comparação seria desleal. Opiniões que consideram como vantagens maiores a qualidade, a portabilidade e a facilidade de manuseio (entre outras) do livro, digamos, ‘tradicional’, ignoram que este modelo que usamos atualmente também teve seu momento de rejeição e ignoram, principalmente, seus quase 500 anos de evolução.
Se até aqui a ideia que lhe transmito é a de que eu sou um entusiasta dos leitores digitais, estou falhando em meu propósito. Não posso ser entusiasta de algo que ainda não conheço de fato. Estou apenas curioso. Se preferir, estou entusiasmado pela curiosidade. Acredito, contudo, que a leitura de livros para fins de estudo (aquele tipo de leitura no qual podemos até mesmo experimentar alguma fruição – como ensinou Barthes – mas que não depende exatamente dela) pode se beneficiar grandemente do livro digital, pela facilidades que o equipamento oferece (e promete) na criação de links diversos e nas construção de anotações, por exemplo.
Uma das questões que mais tem preocupado tanto os desenvolvedores, quanto os usuários deste tipo de equipamento é a qualidade da visualização da tela, considerando-se, principalmente, a luminosidade. Já há soluções consideráveis. Este vídeo, sobre o Kindle, dá uma boa ideia sobre este tipo de problema.
Outro argumento forte em favor do leitor digital é o custo do livro. Não havendo custo de impressão, pode-se diminuir o preço final e pode-se, até mesmo, gerar um aumento na oferta de livros gratuitos, pela facilidade de edição doméstica (problemas de edição a parte) e pelo interesse óbvio do autor em disseminar seu trabalho, principalmente, insisto, com relação aos livros técnicos e/ou científicos. O custo do equipamento, entretanto, ainda é muito alto. Outra questão: num país como o Brasil, onde roubam nossos tênis, quem vai se sentir seguro para usar um equipamento destes em locais públicos?
Para quem estiver interessado, há uma tabela que compara as características de alguns desses equipamentos de leitura. Vale a pena, também, conferir a matéria que o Newsweek fez sobre o futuro da leitura, abordando a questão
Viewed 102 times by 34 viewers

Oi Walter , gostei muito do texto e fiquei com uma vontade enorme de ter um livro eletrônico, que ele fica tão barato quanto o celular.
Oi, Cristina. O que lhe impede?
Obrigado pela visita.
Texto também muito interessante.
Mas diferente da Cristina, não fiquei ainda com vontade de ter um livro eletrônico, seja pelas coisas que você disse no final (roubo), costume ou por simples paixão pela folha de papel velha e amarelada (que adoro o cheiro, apesar de não gostar dos bichinhos). Nada é como o livro ‘tradicional’. Ah, por mim nada, nada vai substituir esse material tão gostoso que é o livro impresso.
Dani
Dani,
seu caso merece cuidados médicos… rs.
[]s
Olá!
Amigos e amigas
Bem livros são livros, sejam em papel ou não.
Tenho um iphone e uma biblioteca nele.
Meus filhos sempre diziam que eu precisava de um celular, pois me perco constantantemente, mas não dava atenção, mas quando vi as diversas possibilidades de um aparelho que me daria a possibilidade de ter uma gama de livros a mão em qualquer lugar, além de não pesar nadinha em minha bolsa, não resisti e me converti aos livros eletronicos, bem como aos digitais, inclusive a uma biblioteca virtual, que estou adorando montar.
Não dispenso os de papel, sempre que posso os tenho a mão, apesar dos preços abusivos dos livros, principalmente quando se mora fora do Brasil.
Vamos a modernidade, os nossos filhos agradecem….não é?
Até mais
Rita
Olá, Rita. Antes de qualquer coisa, quero desculpar-me pela longa demora da resposta. Andei muito envolvido com minha tese de doutorado nestes últimos dias e, realmente, não pude pensar em mais nada. Agora estou de volta!
Concordo com você. Não adianta mesmo lutar contra alguns aspectos da modernidade. Em alguns casos precisamos, sim, nos adaptar. Fala a verdade, existe coisa melhor que que ter um livro no celular quando nos deparamos com aquelas filas intermináveis e inesperadas? Claro que não. Até porque a outra alternativa é ouvir os comentários irritados e irritantes das pessoas que estão na fila… rs.
[]s,