Pesquisa científica na internet

pesquisa-200x300

Há alguns meses concedi uma entrevista para a Revista Gruppem (revista de divulgação científica do Grupo de Pesquisa e Produção em Multimídia do Departamento de Comunicação Social da Universidade de Taubaté) sobre as condições da pesquisa científica na internet. Inicialmente iríamos gravá-la em áudio a entrevista, mas os planos mudaram e a entrevista saiu escrita mesmo. Considere, portanto, na sua leitura, a fluidez (e um certo descompromisso, eu diria) necessária à palavra falada.

As questões de qualidade e de confiabilidade das pesquisas realizadas na internet (de modo geral) em ambientes acadêmicos têm me procupado. Alguns alunos (não são poucos), que não tiveram a oportunidade de receber educação para o uso de bibliotecas, passaram a enxergar na grande rede a solução para seus problemas de pesquisa escolares e dão, desta forma, mostras de que acreditam na velha e ultrapassada ideia de sobreposição dos meios. Não falo aqui dos casos vergonhosos de ”ctrl+c’ ‘ctrl+v’ (ainda pretendo discutir isso), mas do aluno ainda ingênuo que não sabe discriminar textos científicos de textos de divulgação científica, por exemplo.

Evidentemente, recomendo aos meus alunos que utilizem largamente a internet como fonte de pesquisa. Há uma razão muito simples para isso: por mais bem equipada que a biblioteca universitária esteja, em termos de acervo, infraestrutura e pessoal de atendimento, qualquer comparação com as amplas possibilidades da rede mundial seria, claro,  desleal. A orientação, neste caso, é regida pelo princípio da quantidade, com o foco na oferta. Recomendo, igualmente que utilizem a biblioteca, também por uma razão muito simples: a formação e o desenvolvimento do acervo na biblioteca universitária são orientados para os interesses pedagógicos da instituição, o que envolve os interesses de alunos e professores, naturalmente. Dessa forma o que rege este tipo de orientação é o princípio da qualidade, com o foco na demanda.

Outra questão importante diz respeito à autonomia do pesquisador. O aluno de graduação iniciante (com as exceções de sempre, que apenas confirmam a regra) ainda não tem maturidade suficiente para avaliar com segurança as fontes de informação disponíveis na internet. Deve receber, então, ‘alfabetização informacional’ cujo caminho passa necessariamente por fontes de informação com valor agregado, como é o caso das bibliotecas universitárias, quer sejam ‘convencionais’ ou digitais.

Viewed 1773 times by 385 viewers

Sobre o autor