Recentemente, em aula, um aluno me perguntou sobre quais seriam as melhores universidade do mundo. Ufanista, brigou comigo quando lhe disse que as melhores brasileiras apareciam abaixo do número cem, mas que não sabia falar com exatidão sobre isso. É verdade que nunca antes na história deste país estivemos tão preocupados com a educação e que ampliamos consideravelmente a oferta (a relação disso com a qualidade do ensino merece outros posts), mas ainda estamos longe do modelo mais próximo do ideal (ou do minimamente recomendável). Isso vale também para o ensino superior, como pode atestar quem acompanha, na lida diária ou por meio de noticiários, este universo.
Para atender a curiosidade do aluno e a minha, evidentemente, e espero que a sua também, localizei o ranking mundial publicado anualmente pela Times Higher Education (THE), uma espécie de revista especializada em notícias relacionadas com o sistema de educação superior britânico. A lista contempla apenas as 200 melhores e por pouco não deixamos de aparecer em 2008. Nossa melhor universidade (pelos padrões da lista), a USP, aparece em 196º. Em 2007 ocupava um honroso 175º lugar. Para o regozijo dos discípulos daquele locutor esportivo que afirma não haver ‘nada melhor que ganhar da Argentina’, ela aparece uma posição depois do Brasil na lista, em 197º. Mas não comemore ainda! Enquanto a USP perdeu 21 posições, de 2007 para 2008, a Universidad de Buenos Aires ganhou 67 (ocupava o 264º posto em 2007). Brasil e Argentina, aliás, são os dois únicos representantes da América Latina na lista. Os Estados Unidos aparecem 58 vezes entre as duzentas mais e possuem também a melhor universidade (adivinhe qual é? Harvard, pela terceira vez seguida!) e a segunda colocada, Yale. A melhor colocação entre as britânicas pertence a University of Cambridge, que ocupa o 3º lugar.
O ranking tem sido publicado desde 2004. A USP aparece em três ocasiões: 196ª em 2008 e 2005; 175ª em 2007. A Unicamp, única outra representante brasileira, aparece apenas em 2007, na 177ª posição.
Listas deste tipo, quer elenquem as ‘melhores’ universidades ou as ‘melhores’ equipes de futebol, sempre causam polêmicas. Devem ser encaradas como são: listas que evidenciam aspectos quantitativos. Aspectos quantitivos, neste caso, são sinalizadores, apontam para algo que pode ser explorado com mais profundidade. Exatamente por isso são importantes. É preciso, claro, compreender muito bem os critérios utilizados (não os encontrei de forma explícita no THE, mas ainda volto a pesquisar sobre isso).
Eis as listas completas: 2008, 2007, 2006, 2005, 2004.
O THE anunciou que o ranking 2009 será publicado no site no dia 8 de outubro. Oportunamente voltaremos ao assunto.
| 2008 | 2007 | 2006 | 2005 | |
| USP | 196 | 175 | - | 196 |
| UNICAMP | - | 177 | - | - |
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Caro Walter,
lembro-me bem um dia que conversei pessoalmente com você sobre tal assunto e fiquei muito contente em saber um pouco mais. Hoje como ex-aluno pretendo acompanhar suas publicações virtuais, neste site que aliás achei muito interessante. Parabéns pelo assunto abordado, pois alunos (graduandos…)de instituições públicas brasileiras sentem-se a “nata intelectual”, sendo que de um ponto vista um pouco mais sistêmico e global não passam de meros alunos acima da média brasileira acadêmica. Também não podemos esquecer que alunos que realmente fazer parte do Capital Intelectual Brasileiro, são alunos que se dedicam a vida acadêmica, preocupando-se em passar este conhecimento.
Grande abraço de um
ex-aluno e seguidor,
Miguel Ambrosio
Valeu, Miguel, pela visita que pelas palavras. Gostei de sua colocação sobre a relatividade das coisas.