Walter Moreira – 09 maio 2009
No Ponto de mutação, do físico austríaco Fritjof Capra, que li já há bastante tempo, por sugestão de minha amiga Lourdes Camelo, há uma informação que, naquele momento, me foi surpreendente e que me cativou: a idéia de que a Terra, com o aparecimento do homem, foi se aquecendo, tornando-se menos hostil para que pudesse receber, tal qual a mãe, o filho que acabara de chegar, para que pudesse, a semelhança da mãe que oferece seu leite, oferecer condições de vida àquele ser tão frágil.
Independentemente do fundamento científico da afirmação, que Capra certamente sustenta, trata-se de uma bela metáfora: a Terra-mãe. Atualmente, mesmo quem vive alienado, tem sido bombardeado com informações sobre os estragos que causamos, sobre nossa ingratidão filial. Depois de tanto carinho, simplesmente cuspimos-lhe a cara, quando não a batemos. As notícias sobre o visível desequilíbrio ecológico ainda nos causam surpresa, mas não deveriam. A Terra, como o cachorro que se sacoleja para se livrar das pulgas na música do maluco beleza, Raul Seixas, dá seus gritos. Quem tiver ouvidos, ouça!