Reforma ortográfica

Walter Moreira – 08 jul. 2009


Já faz muito tempo, ensinaram-me sobre as diferenças entre reforma e revolução, algo que nosso senso comum pode antecipar sem muitos erros quando associamos reforma com o que fazemos, de tempos em tempos, em nossas casas, por exemplo, e revolução com o que ocorreu na França do século XVIII. Estas associações livres, nos dão a idéia quase exata dos termos: reforma é algo que não rompe com as estruturas, o que se espera, evidentemente, que a a revolução faça.

Quando fazemos reformas em nossas casas, não queremos, evidentemente, derrubá-las para erguermos outra em seu lugar, visamos apenas torná-las mais confortáveis, esperamos recuperar algo que esteja danificado ou, coisa rara, queremos apenas realizar ‘uma manutenção preventiva’.  De qualquer maneira, esperamos que ao final da reforma, tenhamos uma casa, no mínimo, melhor, mais adequada.

O que esperar da reforma ortográfica? Ainda é cedo para qualquer julgamento, e nem especialista sou, mas parece-me uma reforma muito tímida, que mais atrapalha do que ajuda no uso correto da língua portuguesa. Que me perdoem os partidários da reforma, mas não consigo ver sentido na pronúncia de linguiça (assim sem trema) e no que vai diferenciá-la de preguiça, para ficar num exemplo apenas. O pobre e perseguido trema possui, como se vê, função importante. E olhe que, pode sair perguntando por aí, essa mudança (a extinção do trema) é uma das poucas regras que foram completamente assimiladas por (quase) todos os brasileiros, além é claro de sabermos que ideia não tem mais acento, como quase todos os veículos de informação querem insistentemente nos ensinar.

Vou ficar de olho na revolta portuguesa, parece que não gostaram muito da reforma por lá também, como informou o jornal Estado de São Paulo.

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a reforma ortográfica e precisa de material para trabalhar com alunos de nivel médio, recomendo o Manual da nova ortografia, criado pela Editora Ática e um joguinho muito legal, O Game da reforma ortográfica, desenvolvido pela FMU.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *