Leitura e livro eletrônico

Walter Moreira – 29 ago. 2009

Volto aqui a um assunto que já abordei em outra ocasião, num texto bem curto e igualmente despretensioso: o livro eletrônico. Consumista (corrigível, diga-se de passagem) que sou, tenho sonhado com um leitor digital. Devo parecer herético para muita gente. Sei que algumas pessoas não gostam da ideia e consideram absurda a mera suposição; mas o argumento básico dos que não aprovam o inocente equipamento é orientado, basicamente, pelo (rompimento do) princípio do prazer inerente à leitura. Fazem, dessa forma, ressoar a boa e velha querela a respeito da sobreposição de tecnologias, que está aí, desde que o mundo é mundo. Não pretendo convencer ninguém de nada (o que, aliás, seria completa ingenuidade), mas apenas expressar o que penso sobre o assunto.

Evidentemente, não se pode comparar os dois tipos de suporte, pelo menos não agora, com a qualidade dos livros e equipamentos de leitura de que dispomos. A comparação seria desleal. Opiniões que consideram como vantagens maiores a qualidade, a portabilidade e a facilidade de manuseio (entre outras) do livro, digamos, ‘tradicional’, ignoram que este modelo que usamos atualmente também teve seu momento de rejeição e ignoram, principalmente, seus quase 500 anos de evolução.

Se até este ponto a ideia que pareço transmitir é a de que eu sou um entusiasta dos leitores digitais, estou falhando em meu propósito. Não posso ser entusiasta de algo que ainda não conheço de fato. Estou apenas curioso. Se preferir, estou entusiasmado, sim, mas movido pela curiosidade. Acredito, contudo, que a leitura de livros para fins de estudo (aquele tipo de leitura no qual podemos até mesmo experimentar alguma fruição, como ensinou Barthes, mas que não depende exatamente dela) pode se beneficiar grandemente do livro digital, pela facilidades que o equipamento oferece (e promete) na criação de links diversos e nas construção de anotações, por exemplo.

Uma das questões que mais tem preocupado tanto os desenvolvedores, quanto os usuários deste tipo de equipamento é a qualidade da visualização da tela, considerando-se, principalmente, a luminosidade. Já há soluções consideráveis. Este vídeo, sobre o Kindle, dá uma boa ideia sobre este tipo de problema.

Outro argumento forte em favor do leitor digital é o custo do livro. Não havendo custo de impressão, pode-se diminuir o preço final e é possível, até mesmo, gerar um aumento na oferta de livros gratuitos, pela facilidade de edição doméstica (problemas de edição a parte) e pelo interesse óbvio do autor em disseminar seu trabalho, principalmente, insisto, com relação aos livros técnicos e/ou científicos. O custo do equipamento, entretanto, ainda é muito alto. Outra questão: num país como o Brasil, onde roubam nossos tênis, quem vai se sentir seguro para usar um equipamento desses em locais públicos?

Para quem estiver interessado, há uma tabela que compara as características de alguns desses equipamentos de leitura. Vale a pena, também, conferir a matéria que o Newsweek fez sobre o futuro da leitura, abordando a questão

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