Alguma coisa sobre Paul Otlet

Walter Moreira – 10 abr. 2010

Uma vez li um artigo que questionava quais seriam os “alemães mortos” da biblioteconomia. Em busca da compreensão teórica e histórica desse campo, o autor perguntava sobre quais seriam os clássicos que os estudantes de biblioteconomia deveriam, obrigatoriamente, ler,  a exemplo do que ocorre com os estudantes de sociologia que devem ler Marx, Weber, Durkheim, entre outros.

Como resolvi falar hoje alguma coisa sobre Otlet, lembrei-me desse artigo e, maravilha das maravilhas, com uma rápida busca no Google, encontrei-o. Trata-se de um artigo de Sidney J. Pierce, intitulado Dead germans and the theory of librarianship. Lembro-me de ter lido esse texto ainda na época do mestrado (por volta de 1998) e de que, naquela ocasião, solicitei cópia dele à ALA, no que fui pronta e gentilmente atendido,  recebi o artigo, acredite, via fax (será que os mais novos sabem o que é isso?). Como acontece com quase todas as boas perguntas, a de Pierce também fica sem resposta, ou, pelo menos, não oferece uma resposta da maneira direta ou pragmática com que encaramos esse conceito.

Com a busca, acabei descobrindo também que a provocação de Pierce inspirou um projeto desenvolvido pela Escola de Ciência da Informação da University of Tennessee, Knoxville, que pretende reunir biografias de pessoas significativas para a compreensão das bases teóricas e práticas da ciência da informação. Não pude precisar se o projeto ainda está ativo. De qualquer modo, confiram, quem sabe isso pode lhes inspirar a identificar quais seriam os “alemães mortos” presentes nas bibliografias dos cursos de biblioteconomia brasileiros.

O que Otlet tem a ver com isso? O advogado pacifista belga Paul Otlet (1868-1944), a quem devemos a CDU, é, sem dúvida, um dos nossos mais caros “alemães mortos”. Seu Tratado de documentação deveria figurar como leitura obrigatória em todos os cursos de biblioteconomia, documentação ou ciência da informação. A título de incentivo e como introdução, seguem uma breve bibliografia com preferência para os textos disponíveis na rede, compilada já há algum tempo e que não tem qualquer pretensão de ser exaustiva, e um vídeo muito interessante sobre o sonhador Otlet, a quem alguns caracterizam também como o idealizador da internet.

B

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