Walter Moreira – 28 mar. 2010
Depois de um longo e, não tão tenebroso assim, inverno, estou de volta! De qualquer modo, minha longa ausência foi interessante, pois funcionou, às avessas, como um termômetro. Foi reconfortante receber, de algumas pessoas, cobranças sobre os motivos pelos quais não escrevia mais. É sempre bom saber-se lido.
Bem, o motivo da ausência todos sabem: tese. Andei completamente envolvido com a finalização (a tal fase terminal, rs) do trabalho. Olha, deu mesmo muito trabalho, mas não se compara em intensidade à satisfação de vê-lo cumprido.

A tese, que será defendida em 23 abr. 2010 (data, aliás, repleta de acontecimentos importantes, como os nascimentos de William Shakespeare (1564), Max Planck (1858), Pixinguinha (1897), além de ser o Dia de São Jorge), trata da interface teórico-prática entre terminologia, ontologia filosófica, ontologia computacional e linguística documentária. Busquei com este trabalho investigar que subsídios esses campos oferecem para a construção de informações documentárias. Meus objetivos, portanto, foram analisar as condições de produção, desenvolvimento, implementação, uso e integração de ontologias com base no referencial teórico da ciência da informação, investigar a contribuição das ontologias para o desenvolvimento de tesauros e vice-versa e discutir o fundamento filosófico da aplicação de ontologias com base no estudo das categorias ontológicas presentes na filosofia clássica e nas propostas contemporâneas.
Defendo que a compreensão das ontologias por meio da teoria comunicativa da terminologia colabora para a organização de um acesso menos quantitativo (sintático) e mais qualitativo (semântico) à informação. Ao longo do estudo pude observar que, conquanto compartilhem alguns objetivos comuns, há ainda pouco diálogo entre a ciência da informação (e, no seu interior, a linguística documentária) e a ciência da computação.
Defendo também que as ontologias concretas e as ontologias filosóficas não são eventos completamente independentes que guardam entre si apenas a similaridade de denominação e pude constatar que a discussão sobre categorias e categorização na ciência da computação nem sempre possui a ênfase que recebe na ciência da informação, no âmbito dos estudos sobre representação do conhecimento.
A abordagem do rizoma, de Deleuze e Guattari, foi tratada como provocadora de reflexões sobre a validade do modelo hierárquico arborescente e sobre as possibilidades de sua ampliação.
Concluo que a construção de ontologias não pode prescindir do tratamento terminológico-conceitual, como compreendido pela terminologia e pela ciência da informação, acumulado nos referenciais teóricos e nas metodologias para construção de linguagens documentárias e que, por outro lado, a construção de linguagens documentárias mais flexíveis não pode ignorar o modelo de representação das ontologias, com mais predisposição para a formalização e para a interoperabilidade.
Pretendo, ainda, retomar algumas discussões que esboço na tese em posts rápidos e em artigos de periódicos.
Link para a tese: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-05072010-174533/pt-br.html
Até a próxima!