Walter Moreira – 22 ago. 2009
Recentemente uma amiga me fez essa pergunta, assim, da forma mais natural possível. Considerando que sou bibliotecário, deveria saber responder-lhe prontamente. Naquele momento minhas leituras incluíam o instigante A conturbada história das bibliotecas, do também bibliotecário Mattew Battles, e A construção do livro, de Emanuel Araújo, além de alguns artigos relacionados a organização da informação e do conhecimento, esses últimos como suporte para a tese que desenvolvo sobre ontologias.
Meu desejo inicial foi despejar sobre minha interlocutora tudo o que minha pobre cabeça conseguiu acumular sobre o assunto naqueles últimos dias. Alegrava-me ante a perspectiva de poder compartilhar com alguém as questões políticas, ideológicas, filosóficas e linguísticas relacionadas com a organização de bibliotecas. Como sua questão fora extremamente pontual, entretanto, resolvi, ainda considerando minha formação em biblioteconomia, exercitar o que aprendera nos bancos escolares, negociei a questão.
Na verdade, minha amiga não estava interessada na organização de bibliotecas de um modo geral, estava interessada em resolver uma questão prática: queria ajudar o pai a organizar seu “espaço informacional”, o escritório onde passava algumas horas por dia entre livros, discos de vinil, CD, revistas e outos itens de informação. Formulando melhor sua pergunta, o que queria saber era: como organizar uma biblioteca pessoal, sem grandes pretensões de controle de acervo e de empréstimo (palavra, aliás, quase sempre constrangedora em ambientes de bibliotecas pessoais)?

Inicialmente informei-lhe que deveria contratar um bibliotecário, claro. Em vista de sua recusa e de um “quase-espanto”, compartilhei com ela minha experiência pessoal. Em casa de ferreiro, espeto é de pau, diz a sabedoria popular. Não no meu caso. Tenho uma modesta (modesta mesmo, sem modéstia) biblioteca constituída principalmente por livros e CD. Literatura e música estão entre minhas maiores paixões. Procuro manter minha “quase-biblioteca” organizada. Para isso lanço mão de recursos simples.
Depois de aventurar-me com o cadastro dos livros e dos CD em softwares especializados, tais como o MiniBiblio e o PHL, simplifiquei o processo e reduzi a automação ao uso do do Excel, criando uma planilha que inclui os campos tradicionais de identificação e um espaço para minhas impressões sobre o documento. Trata-se de uma tabela simples, que poderia ser desenvolvida em, praticamente, qualquer aplicativo do Office; a opção pelo Excel deu-se por conta dos recursos mais avançados e da facilidade que oferece para organização de planilhas.
Organizo os livros na estante por ordem de classificação (Classificação Decimal Universal) e os CD por ordem de número de tombo. Minha biblioteca digital está dividida em cinco categorias: artigos, e-books, fichamentos, imagens e teses. Dentro delas, apenas os artigos (a maioria deles em formato pdf, relacionados com minhas áreas de interesse) estão classificados. Neste caso, sigo uma taxonomia que se adequa ao modo como penso o campo e insiro os artigos lidos ou não em subpastas.
Na busca por alguma coisa que pudesse ajudar na solução do problema apresentado, encontrei algumas coisas interessantes, como o provocador e bem humorado Como organizar uma biblioteca pública, de Umberto Eco, presente em seu O segundo diário mínimo. Este texto aparece comentado aqui e ali. Confira o blog Livros e afins, de Alessandro Martins e o Portal Bibliotecário, onde o texto aparece na íntegra.