Um olhar para a rede

Walter Moreira – 09 ago. 2010

Ainda somos carentes de bons pensadores sobre o universo das redes. Concorda? Ainda que seja inegável que há uma produção relativamente grande de artigos de periódicos e reflexões mais ou menos profundas, bem ou mal fundamentadas, veiculadas nos diversos blogs e outros equivalentes que se dedicam a essas e outras questões paralelas. O interesse que o tema desperta é compreensível, pois, de certo modo, a tentativa de compreender essa “era das redes” é, na verdade, uma tentativa de autocompreensão; um velho hábito de compreender-se compreendendo o meio.

O problema encontrado em grande número dos textos, contudo, é a falta de profundidade no que tange aos aspectos filosóficos e sociológicos da questão. Não é todo dia que aparecem reflexões sobre a rede como as que produzem Castells ou Benkler, por exemplo, ou como as que realiza Aldo Barreto no interior da Ciência da Informação.

Encontrar bons livros gratuitos sobre o tema, então, é quase uma fantasia. Por esses motivos resolvi chamar a atenção para o livro Olhares da rede, resultado dos debates realizados pelo Grupo de Pesquisa de Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede (Tecred), da Faculdade Cásper Líbero. Os debates foram realizados com base nos textos de cinco autores que pensam as redes digitais e a cibercultura: Yochai Benkler, Manuel Castells, Henry Jenkins, Lawrence Lessig e Douglas Rushkoff.

Transcrevo abaixo o sumário da obra para facilitar sua consulta e aguçar sua curiosidade:

  • Benkler: as redes e a nova “mão invisível” – O papel da tecnologia; As mudanças na economia; A questão da esfera pública; Diferenças fundamentais; Capacidade de reação da esfera pública interconectada; Críticas ao efeito democratizante da Internet.
  • Douglas Rushkoff: nos meandros do caos – A pós-modernidade e o caos; Screenagers; Rushkoff vs McLuhan
  • Lessig: a regulamentação da cultura – A regulação das múltiplas possibilidades; Eldred; Uso-justo; Precaução Regulamentação: quatro tipos de coerção; Empresas de entretenimento: os “legais” de hoje são os piratas de ontem; Creative Commons e a luta por uma cultura livre; Futuro sombrio ou liberdade de dádiva?
  • Castells: a era do informacionalismo – Do capitalismo ao informacionalismo; Da informação de massa ao surgimento de redes interativas; O espaço de fluxos e o tempo intemporal da sociedade em rede; Considerações finais: a sociedade em rede.
  • Jenkins: a cultura da participação – A lógica cultural da convergência de Mídia; O conceito de Affective Economics; O conceito de Transmedia Storytelling; Cultura participativa.

Boa leitura!

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